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Bloqueio não resolve raiz do problema fiscal, diz especialista

Especialista afirma que bloqueio de 22,1 bilhões não resolve a raiz do desequilíbrio fiscal; envelhecimento populacional e gastos com BPC agravam contas

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  • Governo bloqueou mais R$ 22,1 bilhões no Orçamento de 2026, totalizando R$ 23,7 bilhões com o bloqueio anterior de R$ 1,6 bilhão em março.
  • Motivo do bloqueio: crescimento de gastos com o BPC estimado em R$ 14 bilhões e com benefícios previdenciários em R$ 11,5 bilhões.
  • O bloqueio funciona para reduzir investimentos e o custeio da máquina pública, assegurando o pagamento de despesas obrigatórias; ainda não foi anunciado um contigenciamento mais severo.
  • A especialista da FGV Tatiana Pinheiro afirma que era esperada a necessidade de maior controle das contas públicas, com recortes após aumentos de gastos acima do previsto.
  • Envelhecimento da população, com crescimento de 60 anos ou mais em 3,6% ao ano, agrava o gasto previdenciário; fraudes no BPC são citadas como problema a combater, e soluções passam por desindexação de gastos e revisão de subsídios.

O governo federal anunciou um novo bloqueio de 22,1 bilhões de reais no Orçamento de 2026. O objetivo é conter gastos com o BPC e com benefícios previdenciários, elevando o total bloqueado no ano para 23,7 bilhões, somando o bloqueio anterior de 1,6 bilhão em março. A medida resulta de uma reavaliação de receitas e despesas.

A consultora econômica da FGV, Tatiana Pinheiro, afirmou que a necessidade de controle das contas públicas já era prevista. Ela destacou que o crescimento de despesas puxado pelo BPC e pela Previdência tem ocorrido nos últimos anos, gerando recorrentes frustrações com o orçamento.

O bloqueio é acionado pela equipe econômica quando as despesas fogem dos limites fiscais ou as receitas caem. A medida reduz investimentos e o custeio da máquina pública para manter o pagamento de despesas obrigatórias. Contingenciamento mais severo ainda não foi anunciado.

Causas estruturais e envelhecimento

Pinheiro aponta o envelhecimento populacional como fator estrutural que eleva gastos com previdência. Segundo o IBGE, a faixa acima de 60 anos cresce cerca de 3,6% ao ano, o que sustenta a pressão sobre o orçamento.

Ela ressalta que parte da população, principalmente classes C e D, entra na aposentadoria sem contribuição suficiente ao INSS, aumentando a demanda pelo BPC. A expectativa é de queda populacional apenas a partir de 2042.

Fraudes e caminhos de solução

A especialista reconhece avanços no combate a fraudes no BPC, mas afirma que os resultados ainda não resolvem o problema fiscal. Ela cita laudos médicos obtidos pela internet como um fator que inflou a demanda, embora tenha ocorrido avanço para dificultar esse mecanismo.

Para Pinheiro, o bloqueio não resolve a raiz da despesa, que está na indexação dos benefícios ao salário mínimo. Entre as alternativas, ela cita desindexação de gastos e revisão de subsídios, com potencial de reduzir o gasto tributário superior a 500 bilhões de reais. A solução, segundo ela, depende de um debate público amplo.

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