- Brasil registrou 2.162 processos de pesquisa para mineração de terras-raras desde 2023, segundo dados da ANM vão até janeiro de 2026.
- Há apenas oito concessões de lavra, todas em Goiás, ligadas à Serra Verde, única empresa com produção comercial relevante no país.
- Em 2025, a produção brasileira foi de aproximadamente 2.000 toneladas, mantendo o Brasil na 9ª posição global.
- Em abril de 2026, a Serra Verde foi incorporada pela americana USA Rare Earth em operação de 2,8 bilhões de dólares.
- O diretor-presidente do Ibram aponta potencial de expansão, com destaque para o projeto Borborema, na Bahia, que pode iniciar produção nos próximos anos.
Desde 2023, o Brasil registrou 2.162 processos de pesquisa para mineração de terras-raras, conforme dados da ANM compilados pelo Poder360. O total abrange requerimentos e autorizações de pesquisa, estágios iniciais para avaliar áreas com potencial desses elementos.
Apesar da intensa corrida por novas áreas, apenas 8 concessões de lavra estão em vigor, todas em Goiás e vinculadas à Serra Verde, hoje a única com produção comercial relevante no país.
Regulamentação e cenário estratégico
Especialistas indicam que a mudança na Lei nº 14.514/2022 ajudou a abrir espaço para atuação privada na pesquisa e lavra de terras-raras, ainda que o monopólio da INB permaneça em atividades nucleares. A norma redefiniu o enquadramento de minerais associados a urânio e tório.
A demanda global por terras-raras, usadas em IA, energias limpas e componentes eletrônicos, sustenta o interesse brasileiro. A complexidade técnica envolve transformar o minério em concentrados e, depois, em carbonatos, etapa de alto valor agregado.
Produção atual e comparação internacional
O Brasil detém a 2ª maior reserva mundial, estimada em 21 milhões de toneladas, mas produziu apenas 2.000 toneladas em 2025. O país ocupa a 9ª posição global em produção, atrás de nações com menor reserva ou menor visibilidade no setor.
A Serra Verde, em Goiás, detém 8 concessões de lavra próximas entre si. A empresa já se consolidou pela rota tecnológica própria para produzir carbonatos de terras-raras, usando etapas de concentração e processamento.
Transação e impacto internacional
Em abril de 2026, a Serra Verde foi incorporada à americana USA Rare Earth em uma operação avaliada em US$ 2,8 bilhões. Os ossos societários da Serra Verde passaram a representar os maiores acionistas da empresa resultante nos EUA.
Essa movimentação ocorreu mesmo com a Serra Verde já tendo capital internacional desde sua criação, envolvendo investidores dos EUA e do Reino Unido. A transação reforça o interesse externo em ativos brasileiros de terras-raras.
Perspectivas futuras
Analistas apontam potencial de expansão rápida do setor no Brasil, com projetos em estágios iniciais que podem avançar à produção nos próximos anos. O projeto Borborema, no sul da Bahia, é citado como um dos mais promissores, com reserva comprovada e expectativa de estrutura de refino no polo químico de Salvador.
Especialistas estimam que o Brasil possa ter de 3 a 4 projetos equivalentes à Serra Verde nos anos seguintes, desde que consigam migrar da pesquisa para lavra comercial e superar gargalos de processamento.
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