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Filas digitais e gasolina a US$12 definem novo mercado de combustíveis em Cuba

Aplicativo Ticket, criado para organizar filas de gasolina em Cuba, expõe crise de abastecimento, racionamento e avanço da economia híbrida

A compra de combustível está limitada a 20 litros mensais por pessoa
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  • O aplicativo Ticket, desenvolvido pela empresa cubana Xetid e adotado pelo governo, organiza filas e atendimentos, inclusive para abastecimento de gasolina, com limite de 20 litros por pessoa por mês.
  • Na prática, a plataforma acrescentou atraso e burocracia, com relatos de espera que podem chegar a semanas ou meses.
  • Em 12 de maio, o Ministério de Finanças e Preços informou que houve queda drástica no fornecimento de combustíveis e sinalizou mudanças no modelo de comercialização.
  • Três dias depois, o governo autorizou preços variáveis em dólar e permitiu que empresas privadas importem e vendam gasolina, abrindo espaço para atuação de agentes econômicos não estatais.
  • A medida marca avanço de uma economia híbrida em Cuba, com coexistência de controle estatal, mercado informal e abertura parcial ao setor privado, e aponta para o enfraquecimento do Ticket como ferramenta de distribuição.

O aplicativo Ticket, criado pela empresa cubana Xetid, chegou a Havana como ferramenta de organização de filas e serviços. A proposta era facilitar o abastecimento de gasolina e reduzir deslocamentos. Na prática, o sistema passou a impor datas e horários para compra, limitando cada pessoa a 20 litros por mês.

Motoristas dependem de notificações do Ticket para tentar abastecer, com tempos de espera que, segundo relatos, podem chegar a semanas ou meses. Além do combustível, a plataforma também atende a agendamentos de bancos, teatros e cinemas, integrando serviços públicos e privados.

Profissionais locais dizem que a escassez afeta diretamente o dia a dia de pequenas empresas e trabalhadores autônomos. Proprietários de apartamentos para turistas e prestadores de serviços de transfer reportam aumento da pressão para manter a atividade com abastecimento irregular.

O mercado informal de combustíveis cresceu paralelo ao sistema estatal. Redes locais armazenam, desviam ou revendem combustíveis, operando de forma descentralizada. Preços no mercado paralelo variam entre 4 mil e 6 mil pesos por litro de gasolina, cerca de US$ 8 a US$ 12, conforme relatos.

A crise também atinge os setores estratégicos da economia cubana, como turismo e transporte privado. Em Havana, carros clássicos que viraram símbolo da ilha enfrentam dificuldades para manter circulação diária por falta de combustível estável.

Mudanças no modelo de comercialização

Em 12 de maio, o Ministério de Finanças y Precios disse que a pressão econômica reduziu drasticamente os suprimentos de combustível. Três dias depois, o governo autorizou preços variáveis em dólar e autorizou mais atores a importar e vender gasolina.

A medida sinaliza uma flexibilização parcial do monopólio estatal e incentiva a entrada de empresas privadas ou semiprivadas no comércio de combustível. Segundo fontes, parte dessas entidades mantém relações próximas com o governo, em um formato próximo a uma rede de contatos.

A mudança também enfraquece o papel central do Ticket como mecanismo de distribuição. Um empreendedor descreveu a nova realidade como uma transição para uma economia híbrida, com controles estatais convivendo com abertura econômica.

Mesmo com as mudanças, o custo de abastecimento continua acima da capacidade financeira da maioria da população. Muitos cubanos avaliam que, apesar de mais caro, o novo sistema pode ser menos oneroso que pagar preços ainda mais elevados no mercado informal.

Entre filas digitais, escassez e preços dolarizados, abastecer um veículo em Cuba passou a refletir uma transformação econômica mais ampla. O país avança em direções distintas: controle estatal, prática de mercado paralelo e aberturas parciais ao privado.

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