- O Vision 2030, lançado pelo príncipe Mohammed bin Salman, buscava transformar a economia da Arábia Saudita para além do petróleo usando o fundo soberano de quase $ 1 trilhão.
- Nos últimos anos, várias iniciativas ambiciosas do projeto NEOM – incluindo The Line, Trojena e The Cube – foram reduzidas, adiadas ou abandonadas, com custo estimado em bilhões de dólares.
- O LIV Golf, visto como peça central para vencer no esporte mundial, é avaliando como gasto alto sem retorno financeiro ou de reputação até agora, com cerca de $ 5 bilhões investidos.
- Projetos de cidades econômicas, como a King Abdullah Economic City, tiveram resultados mistos; várias cidades não decolaram, e o emprego permaneceu em torno de 12% em 2016, antes de medidas de ajuste.
- A resposta oficial tem sido reorientar o gasto para vitórias menores, com foco em eficiência, execução e projetos mais realizáveis, mantendo a aposta em tourism, esportes e cultura como parte de uma transição gradual.
O anúncio de Vision 2030, feito pelo príncipe Mohammed bin Salman, prometia transformar a economia da Arábia Saudita com investimentos bilionários em tecnologia, turismo e indústria. A meta era reduzir a dependência do petróleo.
Dez anos depois, sinais de recuo aparecem. Queda recente no preço do petróleo, agravada pela guerra na região, diminuiu a capacidade de investimento do reino e atrasou grandes projetos de tecnologia e infraestrutura.
Alguns dos projetos mais ambiciosos do NEOM, o megaempreendimento de 500 bilhões de dólares, passaram a ser flexibilizados, reavaliados ou adiados. A meta de transformar a região noroeste do país ganhou diretrizes mais conservadoras.
Trojena, o resort de inverno nas montanhas, teve seu cronograma ajustado. A ideia de pistas de esqui permanentes e um resort completo foi reduzida, com custos e prazos reestudados.
The Line, uma cidade linear com mais de 161 km, também passou por alterações. A ideia inicial de um modelo urbano radical cedeu espaço para soluções mais modestas e viáveis.
O Cube, uma estrutura prevista para abrigar milhares de unidades, foi descartado. Estima-se que o custo poderia ter chegado a 50 bilhões de dólares, agora alvo de reavaliação.
A Liga LIV Golf, captada como símbolo de diversificação esportiva, também é revista. O custo financeiro estimado já ultrapassa os 5 bilhões de dólares, sem retorno evidente até o momento.
Mudanças e motivações
Especialistas observam que o ajuste vem de uma evolução de visão para execução. O foco passou a priorizar projetos menores com retorno mais imediato, como o desenvolvimento de Sindalah, ilha turística no Mar Vermelho.
Autoridades do Fundo de Investimento Público (PIF) indicaram, recentemente, um plano quinenal para ampliar a eficiência dos gastos e avaliar o desempenho das empresas, buscando sustentabilidade financeira.
Analistas destacam que a mudança não significa abandono da visão, mas uma mudança de ritmo e priorização. A ideia é manter a presença internacional sem comprometer recursos.
Cenário político e impacto
A gestão de MBS também é avaliada sob o prisma dos direitos humanos e da governança. Edward de especialistas aponta que, apesar de avanços em áreas sociais, críticas persistem sobre repressão de dissidência.
Investidores internacionais buscam previsibilidade e consistência. Interlocutores ressaltam que mudanças de curso podem aumentar a confiança, desde que acompanhadas de evidência de execução.
No plano esportivo, o Saudi Arabia mantém aposta em eventos e infraestrutura para atrair turismo e investimentos, ainda que com maior cautela financeira e planejamento de longo prazo.
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