- A proposta de fim da escala 6×1 prevê transição de um ano para a jornada de quarenta horas semanais, mas a Abrainc defende no mínimo sessenta meses de transição.
- O setor afirma que os empreendimentos levam de três a quatro anos para ficarem prontos e já têm preços contratados com compradores.
- Segundo estudo da Econite (professores da Fundação Getúlio Vargas), a mudança pode elevar o preço dos imóveis em cerca de 5,5%, o que pode excluir aproximadamente 2,5 milhões de pessoas do mercado.
- Além do encarecimento, há risco de dilatação de prazos de entrega ou aumento de custos com mão de obra, ou ambos, devido à redução de horas de trabalho.
- A estratégia do setor é buscar negociação com governo, Câmara e Senado; após o anúncio, entidades do setor devem se reunir com o presidente do Senado para tratar do tema, e a mudança impacta a logística em cidades grandes como São Paulo.
ABrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) critica a proposta de fim da escala 6×1, que prevê jornada de 40 horas semanais com transição de um ano. O setor avalia que o prazo é insuficiente para a conclusão de empreendimentos que costumam levar de 36 a 48 meses.
Segundo o presidente da Abrainc, Luiz França, o cronograma proposto não considera contratos já firmados com compradores. Em sua avaliação, a mudança pode gerar prejuízos e desgastes ao setor de incorporação.
França cita estudo da Econite, ligada à FGV, que aponta aumento de 5,5% nos preços dos imóveis com a adoção da nova escala. O aumento pode impactar a parcela da população que financia imóveis, segundo o levantamento.
Impacto nos preços e no acesso à moradia
O estudo estima que cerca de 2,5 milhões de pessoas ficariam sem condições de comprar imóveis diante do reajuste projetado. Além do encarecimento, há a possibilidade de dilatação dos prazos de entrega das obras ou elevação dos custos com mão de obra, ou ambos.
França explica que, se os prazos forem alongados, haverá maior custo com juros, já que muitos financiamentos dependem de financiamento durante a obra. A contratação de mais trabalhadores para compensar a redução de horas também acarreta custo adicional.
Posição da Abrainc e próximos passos
Diante do calendário vigente, que soma aproximadamente 14 meses de transição, a Abrainc defende um período mínimo de 60 meses para a transição. A entidade também defende maior liberdade para negociar horas extras entre contratantes e contratados, visando manter o ritmo das obras.
França aponta impactos operacionais em grandes cidades, como São Paulo, onde a concretagem de lajes costuma ocorrer aos sábados para evitar o trânsito. A mudança na escala comprometeria essa logística e poderia afetar o tráfego urbano.
Estratégia e próximos movimentos
Sobre o caminho jurídico, a Abrainc sinaliza prioridade pela negociação. No dia seguinte ao anúncio, entidades do setor devem se reunir com o presidente do Senado para tratar do tema. O setor prefere diálogo com governo, Câmara e Senado antes de medidas mais abruptas.
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