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Bondades que saem caro: custo de programas sociais

Pacotes de crédito subsidiado estimulam demanda setorial, mas aumentam a pressão inflacionária e dificultam cortes da Selic, segundo o mercado

Bondades de Lula: mercado financeiro “odeia” os pacotes do governo, afirma um banqueiro, com o argumento de que os benefícios são limitados (Roberto Sungi/AtoPress/Folhapress/.)
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  • O governo lançou o Move Aplicativos, com previsão de até R$ 30 bilhões para financiar carros de até R$ 150 mil para motoristas de aplicativos e taxistas, em até 72 meses, com juros mensais de 0,99%.
  • O pacote é visto por bancos como medida de crédito subsidiado que beneficia poucos e não resolve o aperto de juros, o que prejudica a população em geral.
  • O movimento de bondades envolve, ainda, Desenrola 2.0, subsídios para combustíveis, auxílio ao gás de cozinha, financiamento para reforma de propriedades, ampliação da isenção do Imposto de Renda e crédito favorecido para categorias específicas.
  • O Banco Central, representado por Gabriel Galípolo, chefe da instituição, afirma que a prioridade é juros mais restritivos; o choque no preço do petróleo, causado pela guerra entre EUA e Irã, aumenta a inflação e dificulta cortes.
  • Especialistas destacam que incentivos de crédito podem reduzir a atuação da política monetária, mantendo a Selic alta ou elevando-a, se as medidas alimentarem expectativas de inflação.

O governo lançou o Move Aplicativos, um programa de crédito subsidiado para a compra e manutenção de veículos por motoristas de serviços de entrega e táxis. O programa prevê até 30 bilhões de reais para financiar carros de até 150 mil reais, com prazo de até 72 meses e juros de 0,99% ao mês. A iniciativa faz parte de uma série de ações para aquecer a economia.

Banqueiros comentam, em reserva, que o problema não está no benefício em si, mas na ausência de sinais macroeconômicos consistentes. A leitura comum é de que os pacotes ajudam poucos, mas não favorecem uma redução permanente de juros, o que prejudica o restante da população.

Além do Move Aplicativos, o governo já havia lançado outras bondades, como o Desenrola 2.0, subsídios para combustíveis, auxílio para o gás de cozinha, financiamento para reformas de propriedades, ampliação da isenção do Imposto de Renda e crédito favorecido para determinadas categorias. A soma dessas medidas reforça a percepção de uso político do crédito público em período pré-eleitoral.

Move Aplicativos

No mercado, a criação de linhas subsidiadas para consumo específico é vista como interferência no canal de transmissão da política monetária. O crédito direcionado sustenta a demanda em nichos, não favorece a desinflação de forma ampla e dificulta cortes de juros.

Para parte do mercado, o benefício é visto como positivo para quem toma o crédito, mas não para a economia como um todo, elevando a Selic para além do que seria necessário caso a inflação recuasse de forma generalizada.

Risco para a política monetária

O debate ocorre em um momento em que o Banco Central encara a inflação como problema aberto. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a resposta requer juros mais restritivos, mesmo com a Selic já elevada. O choque de preços vem também de fatores externos, como a guerra entre Estados Unidos e Irã, que elevou o preço do petróleo.

Essa combinação de estímulos internos e choques externos reduz a margem de manobra do BC para cortes de juros. Analistas destacam que, se a inflação persistir e parafiscais aumentarem, a taxa básica pode permanecer alta por mais tempo ou subir, diante da percepção de risco fiscal e de inflação enraizada.

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