- O mercado de créditos de biodiversidade é novo, ainda incipiente, mas pode movimentar até US$ 37,5 bilhões até 2032 e já influencia regulações, investimentos e cadeias produtivas.
- A Certificação LIFE mede o saldo na natureza de uma empresa, ajudando a quantificar impactos positivos e negativos sobre a biodiversidade.
- Empresas como Vale, Petrobras e Itaipu já incorporam métricas LIFE para orientar decisões e monitorar impactos ambientais.
- A biodiversidade é local e específica, diferente do carbono; a compensação precisa ocorrer no mesmo território ou bioma.
- Modelos de negócio incluem venda de créditos, insetting e obrigatoriedade em alguns mercados (ex.: Reino Unido), com foco em financiamento, ESG e acesso a mercados.
O mercado de créditos de biodiversidade começa a ganhar espaço globalmente, ainda incipiente, mas com impactos visíveis em empresas, regulações e cadeias produtivas. Enquanto o carbono movimenta bilhões, a biodiversidade passa a ser medida e integrada à gestão corporativa e a financiamentos ambientais.
A iniciativa brasileira ganha projeção internacional. O Instituto LIFE firmou parceria com a consultoria portuguesa Natural Business Intelligence para levar ao mercado europeu sua certificação de impactos sobre a biodiversidade. A expectativa é ampliar adoção de métricas robustas.
Estimativas indicam que o mercado global pode passar de US$ 6 bilhões em 2024 para US$ 37,5 bilhões até 2032. No momento, o volume de transações voluntárias permanece abaixo de US$ 2 milhões.
O que são créditos de biodiversidade?
A base é medir com rigor o impacto humano na natureza. Créditos representam ganhos mensuráveis como recuperação de áreas degradadas, proteção de espécies ou restauração de ecossistemas, certificados e, às vezes, comercializados.
Um crédito tem valor real quando há uma medição rigorosa. O CEO da NBI, Nuno Gaspar de Oliveira, ressalta esse ponto, enfatizando a necessidade de métricas sólidas.
A Certificação LIFE avalia o saldo na natureza de uma empresa, criando indicadores para mensurar impactos positivos e negativos. Regiane Borsato, diretora executiva do LIFE, explica que o saldo positivo é fundamental para o reconhecimento da gestão de biodiversidade.
Como isso já está sendo aplicado?
O modelo começa a sair do papel para a prática no Brasil, com empresas de diversos setores adotando métricas de biodiversidade. Vale, Petrobras e Itaipu já utilizam indicadores baseados na LIFE para orientar decisões, monitorar impactos e reportar resultados.
Na Itaipu, as métricas aparecem como indicadores de desempenho ambiental em fóruns de negócios e biodiversidade desde 2024. Pequenas empresas, como a C-Pack Creative Packaging, afirmam que a certificação facilita medir impactos e buscar recuperação ambiental.
A SPVS, sociedade civil envolvida na criação da metodologia, atua conectando conservação e mercado. O diretor Clóvis Borges destaca que a certificação pode ampliar o financiamento da conservação, incluindo créditos de biodiversidade a corporações e parcerias com projetos como o Complexo Pequeno Príncipe.
Diferença em relação ao carbono
A biodiversidade é local e específica, diferente do carbono, que tem unidade global. Segundo Oliveira, restaurar um hectare de Mata Atlântica não substitui outro ecossistema destruído; a compensação precisa ocorrer no mesmo território ou bioma.
O que muda para empresas?
A biodiversidade pode influenciar cadeias produtivas, acesso a financiamento e posição em mercados internacionais. Regiane ressalta que ela precisa ser parte da sustentabilidade e da estratégia de negócios, com métricas claras que guiam ações.
O que está em jogo?
O carbono ajudou a precificar emissões; agora a biodiversidade entra como desafio econômico global. Empresas com maior impacto ou exposição a regulações buscam créditos para atender exigências legais, reduzir riscos e acessar financiamentos. Setores como agronegócio, mineração, energia e construção estão entre os principais interessados. Em alguns casos, a compra é obrigatória, como no Reino Unido, onde há exigência de ganho líquido de biodiversidade para licenças. Em outros, a adesão é voluntária, voltada a ESG e exportações, especialmente para mercados europeus.
O modelo também avança com o insetting, em que empresas investem na recuperação ambiental dentro de suas próprias cadeias produtivas, em vez de comprar créditos externos. O ecossistema permanece em desenvolvimento, com várias opções de aplicação nos próximos anos.
Entre na conversa da comunidade