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Economista aponta diversos riscos que elevam a inflação

Economista aponta riscos múltiplos que elevam a inflação acima de cinco por cento, com base no IPCA, PIB e cenário externo

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  • O boletim Focus indica inflação acima de 5% neste ano, marcando a 11ª semana consecutiva de alta nas expectativas.
  • Fatores de pressão incluem tensão geopolítica no Oriente Médio e possível alta de preços de commodities energéticas; combustíveis no Brasil ainda não refletem integralmente a alta externa.
  • A inflação de alimentos pode pressionar, com o El Niño no segundo semestre potencializando esse efeito.
  • O PIB é estimado em cerca de 1,9% neste ano; no primeiro trimestre houve desempenho robusto, com expectativa de about 1% no trimestre seguinte.
  • O câmbio pode permanecer próximo de R$ 5,00; a eleição tende a gerar volatilidade adicional, e a Selic pode chegar a near 14% se os riscos inflacionários persistirem.

O mercado financeiro projeta inflação acima de 5% neste ano, segundo o boletim Focus apurado pelo BC. A elevação reflete tensões geopolíticas e pressões internas que já vinham se desenhando. A 11ª semana consecutiva de alta nas expectativas reforça o cenário de precio alto.

Patrícia Krause, economista-chefe da Coface para a América Latina, aponta múltiplos riscos para a inflação. O conflito no Oriente Médio eleva tarifas de energia e pressiona commodities, enquanto valores de combustíveis no Brasil ainda não acompanharam a alta externa. A alta recente de preços pode se manter.

A especialista destaca ainda a inflação de alimentos e o El Niño como fatores de pressão. O fenômeno climático tende a impactar preços do setor no segundo semestre e sustentar o movimento de alta no IPCA. A leitura de abril já aponta volatilidade em componentes relevantes.

IPCA-15 e PIB em foco

A prévia do IPCA-15, prevista para o dia 27, deve ficar próxima de 0,6% no mês, segundo Krause, com passagens aéreas trazendo volatilidade. Os combustíveis teriam contribuição menor que em abril, mas o índice ainda sobe frente aos 12 meses anteriores.

Para o PIB, a Coface revisou a projeção de 1,9% para o ano, alinhada ao Focus, em 1,89%. Dados do primeiro trimestre indicam desempenho robusto, porém com expectativa de desaceleração gradual. Medidas anunciadas podem estimular, mas a trajetória ainda aponta queda na velocidade de crescimento.

Câmbio, eleições e trajetória da Selic

A economista aponta potencial de apreciação do real diante da fraqueza do dólar, termos de troca favoráveis e superávit da balança comercial. O câmbio pode ficar próximo de R$ 5,00, mesmo com juros reais elevados que sustentarão o carry trade.

Para o segundo semestre, a volatilidade cambial tende a aumentar por causa do ambiente político. Mesmo com candidatos já conhecidos, a incerteza pode persistir, especialmente se o conflito externo não se resolver. A projeção de Selic permanece em torno de 13,25%, mas há possibilidade de ajustes caso a inflação não recue.

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