- Luciano Huck afirmou que o Bolsa-Família não estimula as famílias a buscar outras formas de sustento, o que gerou críticas nas redes.
- Estudos citados indicam correlação entre aumento de beneficiários do programa e queda na taxa de participação no mercado de trabalho, especialmente entre trabalhadores de menor qualificação.
- Daniel Duque, doutor em economia pela Norueguês School of Economics e pesquisador da Fundação Getulio Vargas, sustenta que, antes da pandemia, o impacto do programa na oferta de mão de obra era ínfimo, mas ganhou efeito durante a crise.
- José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, estima que, após reajustes do governo Bolsonaro, o Bolsa-Família reduziu em 1,5 ponto percentual a participação da força de trabalho, retirando cerca de 2 milhões de pessoas da conta.
- Camargo também aponta que, se o benefício tivesse mantido o valor pré-pandemia, a taxa de desemprego seria 1,7 ponto percentual maior, por alta necessidade de buscar renda complementar.
O apresentador Luciano Huck voltou a causar debate ao sugerir que o Bolsa Família pode incentivar dependência de longo prazo entre beneficiários. A fala ocorreu em um evento da Esfera Brasil no litoral de São Paulo, no último sábado, 23. Huck afirmou que o programa não estimula a busca por outras fontes de renda e, ao contrário, cria atalhos para permanecer no benefício.
A revisão de especialistas em mercado de trabalho aponta que há correlação entre queda na taxa de desemprego e aumento no número de beneficiários. Pesquisas indicam que, antes da pandemia, o benefício tinha valor baixo e não influenciava de forma significativa a participação no mercado. O efeito mudou com a COVID-19.
Aumento do benefício durante a pandemia elevou o teto para 400 reais e, mais tarde, para 600 reais antes das eleições de 2022. A medida visava ampliar a base de atendidos e consolidar votos, sem impedir que Lula mantivesse o Bolsa-Família após a derrota de Jair Bolsonaro.
Entre as análises de especialistas, o economista Daniel Duque sustenta que, com o benefício mais elevado, houve queda na participação de trabalhadores com menor qualificação. Dados do Boletim Macro IBRE FGV mostram esse movimento, principalmente entre quem está no mínimo de instrução.
Ainda segundo Duque, a relação entre benefício e desemprego não é direta, mas há impacto na oferta de trabalho de grupos de baixa qualificação. O estudo aponta que a renda adicional reduz gradualmente a participação no mercado entre os mais vulneráveis.
Outro estudo, do economista José Márcio Camargo, estima que o Bolsa-Família “fortificado” reduziu em 1,5 ponto percentual a participação na força de trabalho após os reajustes promovidos no governo Bolsonaro. A pesquisa considera 2023 dados de 2023.
Camargo também aponta que, se o benefício mantivesse níveis pré-pandêmicos, a taxa de desemprego poderia ser cerca de 1,7 ponto percentual maior. A conclusão indica que mais pessoas precisariam buscar renda adicional para compor a renda familiar.
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