- Em 2025, mercados emergentes renderiram aproximadamente 34% em dólar, frente a cerca de 18% do S&P 500, marcando a maior diferença favorável em 17 anos.
- O enfraquecimento do dólar foi apontado como motor central do movimento, com o índice DXY caindo cerca de 9,4% no ano, o que tende a direcionar fluxos para emergentes.
- Além da valorização cambial, os emergentes ganharam atenção por negociarem com múltiplos inferiores aos das bolsas americanas e por projeções de lucro mais fortes nos próximos anos.
- Os destaques passam pela Ásia — China, Índia e Taiwan — e pela América Latina, com Brasil, Chile e Peru ganhando relevância pela exposição a commodities; moedas da região ainda operam abaixo da média histórica frente ao dólar.
- No Brasil, os ETFs disponíveis incluem IVWO11 (replica o Vanguard VWO), ARGE11 (argentinas) e WRLD11 (carteira global), com funções distintas na estratégia internacional do investidor.
O interesse por ETFs de mercados emergentes ganha fôlego diante de um dólar mais fraco, tensões geopolíticas e valuations elevados nas bolsas americanas. Mesmo com o peso histórico dos EUA, investidores passam a mirar países com potencial de crescimento e lucros mais fortes, capturando a rotação de capitais para moedas e economias emergentes.
A leitura é apoiada pela visão de especialistas. Danilo Moreno, analista da Investo, aponta que o movimento favorável aos emergentes começou no ano passado, impulsionado pela fraqueza do dólar e por cortes de juros esperados pelo Federal Reserve.
O que explica a força dos emergentes
Em 2025, o dólar perdeu força frente a uma cesta de moedas, com o índice DXY registrando queda de cerca de 9,4%, o pior desempenho desde os anos 1970. A recuperação dos emergentes ocorre à frente de ajustes fiscais nos EUA e mudanças na percepção de risco global.
Moreno destaca que a rotação de capitais ocorre quando o dólar é enfraquecido, favorecendo ativos em outras moedas. Além disso, múltiplos mais baixos e projeções de ganhos superiores atraem investidores para mercados emergentes.
Desempenho relativo em 2025
Os emergentes retornaram cerca de 34% em dólar em 2025, ante aproximadamente 18% do S&P 500, marcando a maior diferença favorável aos emergentes em 17 anos. A combinação de inflação sob controle, juros esperando cortes e perspectivas de lucro robustas sustenta esse movimento.
Diversificação ganha importância
A concentração histórica na bolsa americana é citada como um motivo para buscar diversificação global. Grandes empresas de tecnologia pesam sobre retornos de portfólios internacionais, elevando a demanda por exposições a EM que beneficiem setores de semicondutores e infraestrutura tecnológica.
Ásia como ponto-chave
Dentro dos emergentes, a Ásia ganha destaque com China, Índia e Taiwan. China avança em IA e hardware; a Índia aparece como história de crescimento estrutural pela demografia e reformas; Taiwan permanece essencial à cadeia de semicondutores. Esses ativos ganham relevância na nova dinâmica tecnológica mundial.
América Latina entre surto de commodities
A região recebe atenção por dólar mais fraco, valuations descontados e ciclo de commodities favorável. Brasil, Chile e Peru aparecem entre os destaques pela exposição a petróleo, cobre e lítio, com moedas locais negociando abaixo de médias históricas frente ao dólar.
Como investir no Brasil por meio de ETFs
Na prática brasileira, ETFs internacionais na B3 ampliam o acesso a emergentes. O ETF IVWO11, que replica o VWO da Vanguard, oferece exposição a centenas de empresas de China, Índia, Taiwan, Brasil, México, entre outros, em reais.
Opções da Investo
Para estratégias mais específicas, a Investo oferece o ARGE11, voltado a ações argentinas com foco em reformas econômicas, e o WRLD11, que agrega ações de países desenvolvidos e emergentes. O IVWO11 funciona como alocação estrutural em emergentes, enquanto o ARGE11 é posição tática voltada a tese local.
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