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Fundos de pensão ensaiam retorno ao risco na renda fixa

Fundos de pensão avançam lentamente no retorno ao risco, com 85,2% em renda fixa e início de migração para ativos de maior volatilidade conforme perfis permitem

O limite da renda fixa: fundos de pensão ensaiam (lentamente) o retorno ao risco
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  • Em dois mil e vinte e cinco, fundos fechados de previdência chegaram a R$ 1,374 trilhão sob gestão, com renda fixa em 85,2% e renda variável em 7,6%.
  • Apesar do conservadorismo, há sinais de retorno ao risco, com planos de Contribuição Definida e Contribuição Variável permitindo escolha de perfil de risco.
  • A migração para perfis mais arrojados já começou: em janeiro e fevereiro houve alta de alocação em renda variável acima de 20% em alguns planos; 43 das 140 fundações já oferecem essa escolha.
  • Casos como o da Vexty mostram carteira com cerca de 82% em renda fixa local; fundos de benefício definido, como Vivest e FAPES, avançam na imunização de passivos e reduzem exposição a riscos.
  • O cenário para este ano indica que a queda da Selic pode liberar espaço para ativos de risco de forma gradual; eleições elevam a volatilidade e podem criar oportunidades táticas, com gestores avaliando movimentos em renda variável, crédito privado e estruturados.

O movimento de retorno ao risco em fundos de pensão ainda é tímido, mas já se nota um viés gradual de diversificação. Entrevistados pelo NeoFeed, cinco grandes fundos de pensão descrevem queda de juros, pressão dos participantes e uma reavaliação de perfis de risco como motores dessa mudança.

As entidades fechadas de previdência complementar fecharam 2025 com 1,374 trilhão de reais sob gestão, mantendo-se conservadoras. A alocação em renda fixa chegou a 85,2%, recorde, enquanto a renda variável caiu para 7,6%, segundo a Abrapp.

Apesar do conservadorismo, sinais de migração para ativos de risco aparecem. Consultorias ouvidas pelo NeoFeed apontam que a pressão por maior diversificação ocorre conforme a indústria avança em planos de Contribuição Definida e Contribuição Variável, com participação cada vez mais capaz de escolher o perfil de risco.

A mudança vem também com a possibilidade de escolher perfis. Em planos CDs e CVs, mais da metade já permite essa escolha, o que influencia decisões. Participantes com resultados abaixo do CDI comparam desempenho entre previdência fechada e aberta, elevando a pressão por volatilidade controlada.

Um estudo da Aditus com 140 fundações, somando 481 bilhões de reais, aponta que 43 oferecem escolha de perfil. Nos 12 meses até março, o perfil conservador cresceu para 40% da amostra, ajudando a explicar o crescimento da renda fixa em 2025. Migração a perfis mais arrojados já é observada em janeiro e fevereiro.

A Vexty, antiga Odebrecht Previdência, é um exemplo de atuação. Com mais de 5,5 bilhões de reais no Plano Vexty, o portfólio consolidado em renda fixa local supera 82%. O diretor de investimentos Vinicius Narcizo afirma que o cenário de juros altos explica parte da alocação, mas também o perfil dos participantes.

“Nossos participantes seguem majoritariamente conservadores. Em horizontes mais longos, faz sentido ampliar exposures a ativos mais voláteis para retorno de longo prazo”, afirma Narcizo. Este ano, contudo, já houve movimento para perfis moderados e arrojados, com até 20% em renda variável.

Para Guilherme Benites, da Aditus, a amostra acompanhada já mostra migração para perfis com mais de 20% em renda variável, prevista para ocorrer conforme as regras de cada plano. “O participante decide a alocação; gestores precisam reagir rapidamente”, comenta.

O desempenho recente da bolsa, com Ibovespa em alta expressiva em 2025, intensifica o alerta para migração de perfil, ainda que a carteira de ações seja pequena. O Ibovespa subiu 33,95% e a renda fixa rendeu 11,73% em média, limitando o impacto no resultado consolidado.

Especialistas destacam que uma queda maior da Selic pode tornar mais atraentes ativos de risco. O consenso estima 13% no fim do ano, mas a virada pode ocorrer a partir de 12%, com o mercado respondendo a mudanças de juros. O desafio é manter a diversificação sem perder controle de risco.

Planos com menor incentivo à diversificação, com casamento entre ativos e passivos, já chegaram a um estágio avançado de imunização de carteiras, limitando mudanças. Nos BDs, que representam 53% da indústria, a meta atuarial orienta a alocação, com NTN-Bs em ganho relativo.

A Vivest, quarto maior fundo com 42 bilhões de reais, reforça a imunização como estratégia para reduzir sensibilidade a oscilações de mercado. A FAPES, com 17,5 bilhões, também avançou nesse caminho, reduzindo renda variável e exposição a mercados externos.

O cenário para 2025 aponta rentabilidade de 13,2% na média dos planos BDs, abaixo do CDI, que ficou em 14,3%. A gestão mais conservadora mantém o foco na previsibilidade e no equilíbrio entre ativos e passivos.

O que esperar em 2026

Fontes da Vivest dizem acompanhar a queda gradual dos juros reais como fator para ampliar diversificação e exposição a risco, com cautela e processos bem estabelecidos. A FAPES vê maior volatilidade geopolítica como chance de oportunidades táticas ao longo do ano.

Para a Vexty, a taxa de SELIC menor pode abrir espaço para ajustes graduais, com foco em renda variável, crédito privado e oportunidades internacionais. A Copel mantém postura cautelosa, sinalizando ajustes táticos conforme o cenário se revela.

A Fachesf afirma já estar posicionada para um possível ciclo de queda de juros, com CDs bem representados e 6% em ações e 10% em estruturados. Planos CD mostram sensibilidade a cenário de maior volatilidade, mas com exposição já prevista para ganhos em ciclos de queda.

As eleições presidenciais, ao fim de 2026, somam volatilidade aos portfólios. Fundos mantêm liquidez em caixa para aproveitar movimentos de mercado e preservar flexibilidade, esperando oportunidades criadas pela volatilidade electoral.

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