- Governo de Goiás usou fintech investigada pela PF para movimentar 1,36 bilhão de programas de transferência de renda entre 2021 e 2025, via BK Bank.
- A BK Bank era responsável pela parte técnica dos pagamentos a 880 mil beneficiários, com repasses ocorrendo por meio de uma conta na GoiásFomento.
- Até 2024, a taxa cobrada dos comerciantes era repartida em 50% para a GoiásFomento e 50% para a BK Bank; a partir de 2024 houve mudança para 75,6% e 24,4% respectivamente com a contratação de nova instituição.
- Os repasses à BK continuaram até agosto de 2025, mês da deflagração da Operação Carbono Oculto, por saldos remanescentes segundo o governo.
- O governo afirma que a GoiásFomento não realizou novas transações com a BK após agosto de 2025, e que adotou medidas administrativas e judiciais ao deflagrar a operação; BK não respondeu.
O governo de Goiás utilizou a BK Bank, fintech apontada pela PF, RF e MP-SP como possível ponte financeira do PCC, para movimentar R$ 1,36 bilhão em programas de transferência de renda. Os recursos saíram da GoiásFomento entre 2021 e 2025, período de dois mandatos de Caiado.
Segundo documento do Coaf, as transferências foram efetuadas para uma conta na BK Bank, de onde os pagos seguiam para os cartões dos beneficiários, totalizando 880 mil pessoas atendidas. A operação ocorreu durante o governo estadual.
A BK Bank era beneficiária de repasses de taxa de uso por comerciantes credenciados, com divisão de 50% para a GoiásFomento e 50% para a fintech. Em 2024 houve alteração na divisão, passando a 75,6% para a agência e 24,4% para a BK Bank.
Contexto e Cronologia
A nova modelagem de repasse perdurou até agosto de 2025, data da deflagração da Operação Carbono Oculto. A operação apontou indícios de infiltração criminosa no sistema financeiro ligado ao PCC, levando a ações de fiscalização e medidas administrativas.
A gestão estadual afirma que a contratação da BK ocorreu por credenciamento regular em 2020, anterior aos fatos envolvendo o PCC. O governo sustenta que a BK atuava com aprovação do Banco Central e mantinha contratos com órgãos como Correios e Serpro.
Reação do Governo
A GoiásFomento afirma não ter realizado novas transações com a BK após agosto de 2025. Em nota, o governo disse que, no momento da Carbono Oculto, adotou medidas para resguardar o interesse público e que não houve prejuízo constatado à instituição.
A reportagem não recebeu resposta da BK Bank. O governo ressalta que o contrato possuía cobertura securitária e que medidas judiciais foram adotadas quando necessário. A matéria cita ainda que o repasse aos beneficiários continua sob controle da pasta.
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