- A Guipa transforma motos de delivery em mídia OOH com um baú de LED proprietário, buscando oferecer publicidade em tempo real nas entregas.
- A startup levantou R$ 7,5 milhões em rodada pre-seed com investidores-anjo, incluindo João Dias e Carlos Fonseca; a operação também contratou ex-executivos da Clear Channel no Brasil.
- O sistema de videotelemetria da Guipa monitora frenagem, velocidade, ângulo de curva e geolocalização, e desativa motoristas que não seguem as diretrizes.
- O primeiro projeto é com a Rappi Turbo, em São Paulo e no Rio de Janeiro, envolvendo 180 motoboys com aluguel de motos elétricas pela Guipa e publicidade em modelo de receita compartilhada.
- Além da mídia, a empresa trabalha em guerrilha de marketing, distribuição de amostras e monitoramento de placas para órgãos públicos; as metas são de R$ 20 milhões neste ano e R$ 60 milhões em 2027, com uma rodada seed de cerca de R$ 20 milhões em negociação.
A Guipa está redesenhando a mídia externa ao ar livre ao transformar motos de delivery em plataformas de publicidade. A startup, fundada por Pablo Rojas e Guilherme Kauark, ambos de 23 anos e ex-alunos de administração do Insper, nasceu após uma viagem a Miami, onde viram painéis de LED instalados em barcos e caminhões. A ideia inicial era replicar em barcos no Brasil, mas o capex elevado e restrições legais mudaram o plano.
Os jovens empreendedores migraram o projeto para as motos, desenvolvendo um baú de LED com tecnologia própria para exibir publicidade. O modelo já havia sido tentado por outras empresas de delivery, porém sem sucesso, segundo os fundadores.
A Guipa levantou R$ 7,5 milhões em uma rodada pre-seed com investidores-anjos reconhecidos, incluindo João Dias, da NEOOH, e Carlos Fonseca, da Galápagos Capital. O Brazil Journal participou da rodada, que também teve atuação de Dias como co-CEO da empresa. Executivos da Clear Channel Brasil foram contratados para ampliar a operação.
Sistema de segurança e remuneração
A empresa criou um sistema de videotelemetria que monitora a condução dos motoboys em tempo real, coletando dados de frenagem, velocidade, ângulo de curvas e geolocalização. A condução segura está vinculada ao recebimento dos ganhos, com desligamento automático caso não haja conformidade.
Segundo Pablo, alugar uma moto tradicional custa cerca de R$ 1.500 mensais, enquanto uma opção elétrica da Guipa pode sair por R$ 360, sem custo com seguro ou manutenção. O benefício financeiro para o motoboy pode chegar a R$ 24 mil por ano, além do efeito inibidor de conduta inadequada.
Parceria inicial com Rappi Turbo
O primeiro projeto ocorre em parceria com a Rappi Turbo, braço de entregas rápidas da startup. A Guipa deve alugar motos elétricas para 180 motoboys selecionados em São Paulo e no Rio de Janeiro, que atuam no circuito de bairros como Itaim, Faria Lima e zonas sul do Rio. A parceria prevê modelo de revenue share para publicidade.
Patrocinadores de bebidas, streaming e finanças já demonstraram interesse, com negociações em estágio avançado, visando exclusividade em seus setores dentro do circuito. A Guipa descreve o acordo como um white label para marketplaces.
Expansões e outras frentes
Além do modelo principal, a empresa oferece branding de guerrilha, com embalagens de moto e uniformes personalizados para clientes, já tendo atendido Seara, Maturatta, Nestlé, 99 Food, Keeta e Youse Seguros. Também atua em lançamento de produtos distribuindo amostras em pontos estratégicos.
Carlos Fonseca aponta que a Guipa tem potencial de escala sem barreiras geográficas. Há conversas para atuação na América Latina e em Miami ainda neste ano. Possíveis novas vertentes incluem monetizar câmeras para identificação de placas, com uso previsto inicialmente para o Estado de São Paulo.
Perspectivas de faturamento e captação
A Guipa espera faturar R$ 20 milhões até o fim deste ano, com projeção de R$ 60 milhões em 2027. Para sustentar o crescimento, a empresa negocia uma rodada seed de aproximadamente R$ 20 milhões com parceiros estratégicos ou investidores que agreguem valor à operação. Dias destaca a importância de sócios que acrescentem ao negócio.
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