- O economista Jeffrey Sachs afirmou, em evento no Rio de Janeiro, que os Estados Unidos criam crises financeiras deliberadamente para manter influência global.
- Sachs disse que Washington vê a economia como jogo de poder e que, quando conveniente, pode “ligar e desligar o interruptor” para derrubar governos ou pressionar políticas externas.
- Ele citou Venezuela e Cuba como exemplos de crises consideradas devastadoras que teriam sido criadas, e criticou a forma de lidar com o Irã em termos de política econômica.
- A palestra propôs maior integração financeira regional na América Latina, incluindo uso de linhas de swap cambial gerenciadas na região, ao invés de depender do Fundo Monetário Internacional.
- O encontro integrou a segunda conferência da Rede de Centros de Pensamento das Américas (CEPAS), marcando a transição da presidência pro tempore da CEPAS para o Conselho Argentino para as Relações Internacionais (CARI).
Jeffrey Sachs criticou o intervencionismo dos EUA em evento no Rio de Janeiro nesta segunda-feira, 25. O economista da Universidade de Columbia afirmou que Washington vê a economia como ferramenta de poder e costuma criar crises financeiras intencionalmente.
Segundo Sachs, o país pode desligar e ligar esse “interruptor” conforme interesses de política externa, inclusive para derrubar governos ou pressionar resultados. Ele citou Venezuela e Cuba como exemplos de crises consideradas devastadoras, atribuíns as causas ao comportamento econômico norte-americano.
Ainda no tom crítico, o professor questionou a visão de diplomacia econômica sobre o Irã, citando uma entrevista de Donald Trump em Davos sobre desvalorizar a moeda iraniana para provocar agitação social. Para Sachs, isso configura truculência e criminalidade econômica.
H3 Integração financeira regional
O economista disse que ampliar a integração financeira na região pode reduzir vulnerabilidade a crises. Propôs, entre medidas, o uso de linhas de swap cambial geridas regionalmente, em vez de depender de instituições como o FMI.
Ele citou o papel do CAF, antigo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, como referência para a atuação regional. A ideia é fortalecer mecanismos de intervenção rápida diante de choques externos.
H3 Contexto do evento e participação
A palestra integrou a segunda conferência da Rede de Centros de Pensamento das Américas, que reúne instituições de EUA, Brasil, Chile, México, Argentina, Colômbia e Peru, além do Real Instituto Elcano espanhol. O encontro ocorreu no Cebri.
O presidente do Cebri, José Pio Borges, ressaltou a necessidade de pensar estrategicamente o papel da América Latina no cenário global, destacando cooperação regional e diálogo como caminhos. A conferência também discutiu coordenação regional.
H3 Mudança de liderança na CEPAS
Foi anunciada a transição da presidência pro tempore da CEPAS para o Consejo Argentino para las Relaciones Internacionales (CARI), sob a condução de Francisco de Santibañes. A mudança ocorreu durante o evento e foi apresentada como parte de um rodízio institucional.
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