- Dados da Gallup 2024 mostram que apenas 23% dos trabalhadores no mundo estão engajados e que a desconexão custa US$ 8,9 trilhões em produtividade, equivalentes a 9% do PIB global.
- No Brasil, o índice de engajamento fica em 27%.
- A economista Érica Hatori diz que a regulação emocional da liderança impacta a alocação de capital, a inovação e a produtividade, influenciando o PIB.
- Estudos de economia comportamental e neurociência, citados por Hatori, apontam que decisões de líderes desregulados elevam custos e afetam desempenho, com menção a Kahneman.
- A palestra de Hatori propõe o conceito de PIB redefinido — Propósito, Inteligência Emocional e Bem-estar — como arquitetura interna de resultados sustentáveis.
O estado emocional de líderes empresariais pode influenciar diretamente o desempenho econômico de uma nação, aponta estudo baseado em economia comportamental e neurociência. Dados da Gallup indicam que apenas 23% dos trabalhadores mundialmente se sentem engajados, gerando cerca de 8,9 trilhões de dólares em produtividade perdida por ano, equivalente a 9% do PIB global. No Brasil, o índice de engajamento fica em 27%.
A economista e mentora executiva Érica Hatori sustenta que a origem dessa perda está no estado emocional de quem toma decisões. Com mais de 25 anos de atuação em empresas, ela defende que a regulação emocional da liderança impacta alocação de capital, inovação e produtividade, reverberando pela cadeia produtiva e pelo PIB.
O conceito encontra respaldo em estudos de Daniel Kahneman, que mostra como vieses e estados emocionais distorcem escolhas econômicas. Na prática corporativa, um CEO com desregulação emocional pode influenciar fornecedores, empregos e, consequently, o desempenho macro.
Engajamento, emoção e economia
Os dados da Gallup State of the Global Workplace 2024 mostram que apenas 23% dos trabalhadores estão engajados globalmente. A estimativa de produtividade perdida alcança US$ 8,9 trilhões por ano, o que representa 9% do PIB mundial. No Brasil, o índice de engajamento fica próximo de 27%.
O Future of Jobs Report 2025 aponta competências como inteligência emocional, resiliência e liderança humanizada entre as mais demandadas na próxima década. Segundo Hatori, o mercado reconhece a emoção como vantagem competitiva estrutural em contextos de volatilidade.
Neurociência e clima organizacional
Pesquisas sobre neurônios-espelho indicam que estados emocionais se propagam em grupos. Estudos sobre inteligência emocional associam líderes com boa regulação emocional a climas organizacionais mais produtivos. A partir disso, Hatori sugere que ambientes com insegurança crônica elevam o custo cognitivo, reduzem a criatividade e elevam a rotatividade.
Ela cita ainda estimativas de reposição de profissionais, que variam entre 50% e 200% do salário anual, conforme dados da SHRM. Na prática, o custo vai além do salário, atingindo eficiência, inovação e continuidade operacional.
Palestra e conceito de PIB redefinido
A economista estruturou a palestra Suas emoções decidem o quanto o PIB produz, defendendo que o estado emocional do tomador de decisão é uma variável macroeconômica. A apresentação aborda cinco eixos: o papel do sistema límbico, a importância do engajamento como indicador econômico, a influência dos neurônios-espelho, a relação entre bem-estar do líder e desempenho da equipe e o conceito de PIB redefinido — Propósito, Inteligência Emocional e Bem-estar.
Segundo Hatori, a variável emocional pode ser desenvolvida. Diferentemente de juros ou câmbio, o estado emocional de um líder pode ser trabalhado e calibrado, gerando impactos positivos no desempenho de equipes e no valor econômico agregado.
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