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Produção de fertilizantes cai devido a conflito no Oriente Médio

Conflito no Oriente Médio reduz a produção de fertilizantes fosfatados, eleva o enxofre e pode comprometer safras globais, principalmente em países de menor renda

O agro nacional depende da importação de fertilizantes
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  • A guerra envolvendo o Irã elevou a pressão sobre a cadeia global de fertilizantes, com cortes na produção de fosfatados devido a interrupções no fornecimento de enxofre.
  • O Estreito de Ormuz continua sendo o centro da crise, concentrando boa parte do comércio mundial de enxofre e aprofundando o desequilíbrio já pressionado pela demanda, especialmente por metais da transição energética.
  • Empresas como Mosaic e OCP reduziram operações e anteciparam paradas, e o preço do enxofre subiu de cerca de US$ 150–US$ 180 por tonelada para quase US$ 900, com alguns negócios chegando a US$ 1.000.
  • A China suspendeu exportações de fosfatados até agosto, enquanto grandes importadores, como a Índia, aceleram compras, incluindo licitação de 1,6 milhão de toneladas de fosfatados.
  • O Brasil, como grande importador, aparece entre os países vulneráveis; especialistas apontam risco de queda na fertilização das lavouras e aumento de custos, com busca por alternativas e fertilizantes menos dependentes de enxofre.

A crise no Oriente Médio começa a impactar a produção global de fertilizantes, com redução de oferta de fosfatos e aumento de custos. O conflito envolvendo o Irã elevou pressões sobre a cadeia de suprimentos, afetando insumos usados em culturas como milho, soja, arroz, trigo e oleaginosas.

Fabricantes reduziram a produção de fertilizantes fosfatados após interrupções logísticas no Golfo, que atingiram o fornecimento de enxofre, matéria-prima essencial para o processamento do fosfato. Executivos, analistas e consultorias alertam para riscos de safras futuras, sobretudo em países de menor renda.

O gargalo principal fica no Estreito de Ormuz, corredor entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Antes da crise, cerca de metade do comércio mundial de enxofre passava pela região, segundo dados de executivos do setor e da CRU. O enxofre é componente estratégico para fabricar ácido sulfúrico utilizado no processamento do fosfato.

A produção de fertilizantes encolhe à medida que empresas cortam operações. Mosaic reduziu atividades ligadas ao fosfato no Brasil e nos EUA, citando aumentos de custo do enxofre. OCP, maior exportador mundial de fosfato, também diminuiu parte da produção e antecipou manutenções. Estoques estratégicos são mantidos para sustentar operações por semanas.

Os preços do enxofre dispararam. De US$ 150-180 a cerca de US$ 900 por tonelada, com entregas chegando a US$ 1.000 em alguns casos. Analistas da CRU indicam que margens de fosfato já são negativas em algumas regiões, mesmo antes de custos industriais adicionais.

A China suspendeu exportações de fosfatados até agosto para proteger abastecimento interno. Importadores globais aceleram compras preventivas. A Índia abriu licitação para 1,6 milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados, incluindo DAP, entre os maiores usados mundialmente.

Produtores sauditas, como Ma’aden e Sabic, tentam manter fluxos exportatórios redirecionando cargas pelo Mar Vermelho. Mesmo assim, embarques do país caíram significativamente, segundo estimativas da CRU, diante das restrições do Ormuz.

Especialistas alertam que o impacto pode extrapolar o químico. Quando preços sobem, agricultores reduzem doses ou adiam compras, gerando quedas de produtividade meses depois. Estudos da FAO e da IFA apontam déficits que afetam o crescimento vegetal e a qualidade de grãos.

A África Subsaariana e o Sudeste Asiático já mostram retração de compras devido aos preços elevados, segundo a ICIS. O risco é assimétrico: países ricos mantêm acesso, enquanto economies mais vulneráveis enfrentam custos maiores.

No Brasil, o mercado reage ao redor de um dos pilares da produção agrícola. O país depende de fertilizantes importados, conforme a Anda. Embora haja produção doméstica, fósforo, potássio e nitrogênio continuam com entradas externas relevantes.

O episódio reacende preocupações já vistas durante a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, quando fertilizantes surgiram como vulnerabilidade do agronegócio. O aperto estimula ainda a busca por alternativas tecnológicas e fontes de enxofre menos vulneráveis.

Fabricantes ampliam pesquisas por fertilizantes com menor uso de enxofre e amônia, além de rotas alternativas de matéria-prima. A OCP fala em ampliar TSP e buscar fontes derivadas de resíduos metalúrgicos, como pirita e pirrotita.

Analistas destacam que, apesar dos esforços, o fosfato tende a se recuperar com atraso em relação aos nitrogados. A geografia da produção mundial, com maior concentração em Marrocos e Saara Ocidental, aumenta a sensibilidade a choques logísticos.

Os impactos sobre safras e preços devem se acentuar, segundo especialistas, com efeitos ainda não totalmente mensurados. O monitoramento de custos, estoques e fluxos continuará a orientar decisões de governos, produtores e indústrias.

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