- Banco Pine passou a projetar Selic em 14% ao ano no fim do ciclo de cortes, devido à piora das expectativas de inflação, alta do petróleo e juros globais.
- O relatório também elevou as projeções de inflação: IPCA de 2026 passou a 5,6% e IGP-M para 7,3%; para 2027, IPCA em 5% e IGP-M em 6%.
- A projeção de Focus aponta Selic de 13,25% no fim de 2026, mas economistas veem espaço menor para queda devido ao cenário inflacionário.
- Citi passou a estimar interrupção dos cortes em setembro de 2026, com Selic em 13,75%, citando inflação acima da meta e expectativas desancoradas.
- O Pine cita fatores como inflação global resistente, petróleo elevado, alta de preços agrícolas e desvalorização leve do real no segundo semestre como motivadores das revisões.
O Banco Pine elevou suas projeções para a taxa Selic, afirmando que o ciclo de cortes deve terminar com a Selic em 14% ao ano. A decisão foi divulgada em relatório nesta segunda-feira, 25, com justificativa baseada na alta da inflação e no cenário externo mais rígido.
Segundo o Pine, choques domésticos e externos estreitaram a margem para novas reduções de juros. A instituição também revisou para cima as projeções de inflação, com IPCA de 2026 em 5,6% e IGP-M de 7,3%.
Para 2027, o Pine aposta em IPCA de 5% e IGP-M de 6%. Entre os fatores estão alta de preços agrícolas, pressão de derivados de petróleo e uma leve desvalorização do real no segundo semestre, segundo o relatório.
O Citi também revisou seus números, esperando que o Copom encerre o ciclo de cortes em setembro de 2026, com a Selic em 13,75% ao ano. A instituição aponta inflação acima da meta e expectativas desancoradas, com espaço de cortes mais limitado.
Economistas do Citi ressaltaram que o cenário inflacionário não melhorou desde abril, mesmo com cenários favoráveis de câmbio e atividade. O relatório reforça a cautela com a convergência de preços.
Outros analistas, como Leonardo Porto, elevaram projeções de inflação, citando impactos da alta do petróleo e da manutenção de combustíveis domésticos abaixo da paridade. A leitura é de que a inflação segue acima da meta.
O Pine aponta ainda que a guerra entre Estados Unidos e Irã intensificou a aversão a riscos, destacando o Estreito de Ormuz como vulnerável. No entanto, classifica o conflito como acelerador de um movimento já em curso: juros globais mais altos.
Além disso, a instituição pontua que a inflação global mais resistente e a deterioração fiscal internacional elevam prêmios de risco. Tais fatores ajudam a explicar a alta dos juros reais no exterior e no Brasil.
A pesquisa também ressalta a contribuição da inteligência artificial para a produtividade, ao mesmo tempo em que aumenta a demanda por capital e infraestrutura. O efeito, conforme o Pine, tende a sustentar prazos de juros elevados.
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