- A Ferrari lançou o Luce, seu primeiro carro elétrico, com preço inicial de 550 mil euros (R$ 3,2 milhões) na Itália, tornando-o o modelo não híbrido mais caro da marca.
- O veículo foi desenhado por Jony Ive, ex-designer da Apple, e tem motor elétrico com som inspirado em guitarra elétrica; a proposta foca em reduzir o peso da bateria.
- A reação nas redes sociais foi negativa, com críticas ao conceito e à identidade da marca; investidores também reagiram com queda nas ações.
- As ações da Ferrari caíram 5,26% na Bolsa de Nova York e 8,37% na Bolsa italiana na terça-feira, 26 de maio.
- A Ferrari afirma que o Luce não mira a base de fãs tradicional e que pretende vender volumes limitados, com a meta de chegar a 20% de modelos totalmente elétricos até 2030.
A Ferrari enfrentou críticas e oscilações no valor de suas ações após apresentar o Luce, o seu primeiro carro elétrico. O modelo foi recebido com ciações de insatisfação entre fãs, analistas e em redes sociais, gerando discussões sobre a viabilidade da transição elétrica da marca de luxo.
O Luce, criado pelo ex-designer da Apple, Jony Ive, tem peso reduzido pela bateria e som inspirado em guitarra elétrica. O veículo é apresentado como uma novidade de design, mas o público e investidores reagiram de forma divergente, destacando o desafio de atender a uma base de clientes exigente.
As ações da Ferrari caíram na terça-feira, 26, com queda de 5,26% na B3 de Nova York e recuo de 8,37% na bolsa italiana. A reação reflete receios sobre a demanda e a estratégia de lançamento de um carro que foge ao perfil tradicional da marca.
Reação do mercado e dos rivais
A recepção negativa se deu também nas redes sociais, onde internautas classificaram o Luce como decepcionante e fora do etos da Ferrari. Analistas lembram que a Ferrari visa um nicho específico de compradores de tecnologia e colecionadores.
Entre ex-líderes da Ferrari, alguns antigos executivos destacaram dúvidas sobre o impacto do lançamento e sobre a possibilidade de o logotipo da marca aparecer de forma diferente no modelo. Ainda assim, executivos da montadora asseguram que o Luce não mira os fãs tradicionais.
A empresa informou que o Luce não depende da base de fãs principal para seu sucesso imediato. Pela primeira vez, a Ferrari pretende tratar clientes novos e tradicionais com igual prioridade nas encomendas.
Preço, posicionamento e metas
O Luce tem preço inicial de 550 mil euros, aproximadamente 3,2 milhões de reais, na Itália, tornando-o o modelo não híbrido mais caro da marca. A Ferrari não divulgou metas de venda, mas analistas veem o foco em empreendedores de tecnologia como indicativo de ambição.
Executivos da Ferrari sustentam que a margem operacional de 30% não sofrerá com o lançamento, já que o volume deverá permanecer limitado. A empresa projeta que 20% de seus modelos sejam totalmente elétricos até 2030, reduzindo, assim, a meta anterior.
Panorama do segmento de luxo elétrico
A aposta da Ferrari ocorre em meio a uma divisão no setor sobre demanda por carros elétricos de luxo. Algumas marcas avançam com estratégias elétricas, mesmo diante de resistência de compradores.
Outras montadoras de luxo, como Jaguar Land Rover e Rolls-Royce, seguem com projetos elétricos focados em clientes jovens e ultrarricos. Enquanto isso, Porsche reduziu expectativas com elétricos, já adaptando-se a motores a combustão.
Mercado acompanha também movimentos de Lamborghini, Lamborghini adiou o Lanzador para 2030, adotando híbrido plug-in. Lotus, Bentley e McLaren também ajustam seus calendários para elétrica, com foco em híbridos ou lançamentos futuros.
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