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Contrato intermitente aumenta participação no emprego formal

Emprego intermitente soma 108,3 mil vagas com carteira em doze meses até março, alta de 17,3% e concentração no setor de serviços, especialmente no Sudeste

Janaína Feijó: “Nem toda empresa precisa do trabalhador disponível 40 horas por semana, durante todo o ano” — Foto: Leo Pinheiro/Valor
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  • Entre abril de 2025 e março de 2026, foram criadas 108,3 mil vagas com carteira assinada na modalidade intermitente, alta de 17,3% em relação aos 12 meses anteriores.
  • Nos 12 meses encerrados em março, o intermitente representou 8,9% de todas as vagas com carteira criadas no país.
  • O setor de serviços foi o principal contratante, respondendo por aproximadamente 74,9% das vagas, seguido pela construção civil (10,2%) e indústria (7,3%).
  • A região Sudeste concentrou 49,1% das vagas, seguida por Sul (31,6%) e Nordeste (10,3%).
  • Perfil dos intermitentes: 63,1% são homens, 86% possuem ensino médio completo e 68,5% têm até 39 anos; houve crescimento relevante na faixa de 40 a 49 anos.

Em 12 meses até março, o Brasil abriu 108,3 mil vagas com carteira assinada ligadas à modalidade intermitente, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas. O total representa 8,9% do conjunto de vagas com carteira criadas no país, ligeiramente abaixo do recorde de 10,7% registrado em fevereiro. Os dados cobrem o período de abril de 2025 a março de 2026.

A pesquisa mostra alta de 17,3% em relação aos 12 meses anteriores. O trabalho intermitente foi criado pela reforma trabalhista de 2017 e permite a alternância entre períodos de prestação de serviço e inatividade, com remuneração baseada na hora trabalhada. A modalidade manteve a maior parte dos direitos trabalhistas, mas não garante o seguro-desemprego.

A despeito do crescimento, a adoção envolve complexidade jurídica e gestão de contratos. As pesquisadoras ressaltam que empresas precisam entender a segurança da modalidade, enquanto trabalhadores avaliam se vale a pena migrar de vínculos informais para contratos com parte dos benefícios da CLT. A pandemia também influenciou a disseminação de formas de trabalho mais flexíveis.

Panorama por perfil e setor

O perfil típico do intermitente é masculino (63,1%), com ensino médio completo (86%) e até 39 anos (68,5%). No período analisado, houve destaque de 83,4% entre trabalhadores de 40 a 49 anos preenchendo vagas intermitentes, contra 29,9% na faixa de 25 a 29 anos. A explicação envolve busca por permanência no mercado de trabalho com maior flexibilidade.

No conjunto setorial, os serviços respondem pela maior participação, com 74,9% das vagas. Construção civil soma 10,2% e indústria 7,3%. Regionalmente, o Sudeste concentra quase metade das vagas (49,1%), seguido por Sul (31,6%) e Nordeste (10,3%). No Sul, o peso da intermitência no total de vagas criadas com carteira atingiu 23,7%.

Implicações e leituras

Segundo o Observatório Nacional da Indústria, o uso do formato intermitente chegou a 11,6% no início deste ano, aumentando desde 2025. A média semanal de horas é próxima entre intermitentes e CLT tradicional, com 43 horas para o intermitente e 44 para a CLT. Profissionais de atuação em instalações, manutenção e montagem aparecem entre os mais frequentes.

Gestores e especialistas veem a modalidade como instrumento de competitividade e flexibilidade. A escolaridade técnica é apontada como diferencial para o mercado, que busca reduzir custos fixos sem abrir mão de talentos que valorizam flexibilidade. Em eventos, o intermitente oscila entre 10% e 15% das contratações, com possibilidades de chegar a 50% em períodos de alta demanda.

Percepções setoriais e desafios

Líderes do setor reforçam que o intermitente pode ampliar a participação de trabalhadores qualificados em atividades sazonais, mas ainda enfrenta insegurança jurídica em pontos da reforma trabalhista. Além disso, há críticas sobre a relação entre o modelo e a formação de carreira, especialmente na construção civil, onde há apelo por cultura organizacional e progressão profissional.

Pesquisadores destacam que o aumento das contratações pode não significar a formalização plena de trabalhadores sem direitos, mas sim uma segmentação com menor proteção. Economistas alertam que o formato pode favorecer a flexibilidade para empresas, trazendo ganhos de competitividade, porém com trade-offs em termos de proteção social.

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