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Crédito privado e Copa do Mundo: o que há em comum

Mercado brasileiro de crédito privado se transforma com três tipos de gestores; expansão exige método para lidar com volatilidade e riscos

Copa do Mundo 2026 — Foto: Gettyimages
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  • A Tivio Capital compara a transformação do crédito privado brasileiro à Copa do Mundo de 2026, destacando que, no primeiro trimestre de 2026, foram emitidos R$ 193 bilhões, supera o total de qualquer ano até 2020.
  • O mercado hoje opera com três arquétipos: bancos (originação), gestoras de bancos (distribuição) e gestoras independentes (análise avançada e estruturas mais sofisticadas).
  • Casos como Raízen e GPA mostram a complexidade do crédito corporativo; a recuperação extrajudicial da Raízen, anunciada em março, envolve R$ 65 bilhões em dívidas.
  • Um exemplo de risco: uma debênture quirografária com rating AAA pagando CDI mais 1,5%, com recuperação de 40%, tem probabilidade implícita de calote próximo de 2,5% ao ano; ao longo de cinco anos, o risco de pelo menos um evento é estatisticamente relevante.
  • A carta defende gestão ativa em um mercado com quase 200 bilhões de reais em emissões por trimestre, destacando que substituições e leitura do secundário são cruciais; método de seleção e alocação diversificada são vistos como vantagem competitiva.

A Tivio Capital, gestora independente de crédito privado, recorre à Copa do Mundo de 2026 para explicar a transformação do mercado brasileiro. A carta aos investidores assume que o crédito privado evoluiu como o futebol, de monopólio para multipolarização.

Em 2018 o mercado teve pouco mais de R$ 150 bilhões em emissões primárias anuais; no primeiro trimestre de 2026 já soma R$ 193 bilhões. O número de gestoras independentes aumentou, e novas classes surgiram, como FIDCs estruturados e Fiagros.

A visão da Tivio envolve três perfis de gestor, comparando o mercado com três países-sede da Copa: bancos, gestoras de bancos e gestoras independentes, cada uma com papel único e complementar.

Três países sede, três tipos de gestor

Antes, a origem e distribuição ficavam com as tesourarias dos bancos. Hoje convivem bancos, gestoras de bancos e gestoras independentes, cada uma com funções distintas e sinergias entre si.

A carta alerta que maior volume não implica melhor processo. Em credores, é preciso método de seleção, dimensionamento de risco e avaliação de estruturas para não comprometer o portfólio.

No crédito corporativo brasileiro, empresas grandes passaram a reestruturar dívida. Raízen e GPA aparecem como exemplos recentes, com a recuperação extrajudicial da Raízen, anunciada em março, atingindo R$ 65 bilhões em dívidas.

Em março, as bonds da Raízen no exterior já apontavam estresse, com custos de financiamento variando. No Brasil, a deterioração apareceu semanas depois, e quem monitorou o quadro teve tempo de reduzir exposição.

Uma conta simples da carta mostra risco: uma debênture AAA com CDI + 1,5%, assumindo 40% recuperação, tem probabilidade anual de calote de ~2,5%. Em cinco anos, com 40-50 emissores, o risco agregado é relevante.

“O gestor não espera que nenhum favorito tropece; seleciona bem e dimensiona a exposição para não comprometer o portfólio”, resume o documento.

Vale manter Neymar na lista? Vale carregar crédito hoje?

O debate sobre Neymar serve como metáfora: talento não garante presença constante, e lesões complicam escolhas. No crédito, abrir variação de spreads e resgates impõe avaliação cuidadosa.

Desde 2025, eventos como Ambipar, Raízen e GPA elevaram o estresse nas taxas. O ADI-DI subiu, atingindo CDI + 1,71% em abril, o nível mais alto desde 2024. Em março, quase 96% dos fundos renderam abaixo do CDI.

Resgatar crédito na abertura é visto como vender na baixa, segundo a carta. O cenário sugere que manter posições pode trazer recuperação quando as spreads recuarem, especialmente para quem já ajustou a carteira.

Cerca de 70% da alta do IDA-DI está concentrada em cinco emissores, em mais de 200 nomes. O estresse é concentrado, o que favorece gestores que evitaram problemas e mantiveram a carteira limpa.

Cinco substituições, e o técnico que sabe usá-las

A mudança para 2026 valoriza a gestão ativa. O mercado emite quase 200 bilhões por trimestre; o secundário de debêntures somou 947 bilhões em 2025. A diversificação e a reciclagem de posições ganham espaço.

Na prática, há liquidez para quem busca resgate D+0 em alta qualidade, e estruturas mais complexas, como FIDCs, oferecem ganhos maiores com prazos maiores.

A pergunta-chave em 2026 é: quantas substituições você sabe usar? Isso, segundo a Tivio, é o diferencial entre portfolios estáveis e voláteis.

A tese, em uma frase

Num mercado com mais opções, o diferencial é o método: seleção primária, operação de secundário, alocação entre classes e disciplina para não vender na baixa. O foco é escalar, substituir e manter o plano quando o jogo aperta.

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