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Custo do tratamento da obesidade com novos medicamentos ou não tratar

Novos antiobesegéticos são caros, mas reduzem internações; sem política pública integrada, não tratar custa mais ao SUS e à população

Obesidade: complicações geram custo explosivo para o sistema de saúde
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  • Um mês de tratamento com os novos antiobesos, como semaglutida e tirzepatida, pode custar entre R$ 800 e R$ 2.500, dependendo da dose e da molécula.
  • Para trabalhadores de renda média, o custo é inviável e, no SUS, sem uma política de incorporação, é praticamente impossível.
  • Estudos de farmacoeconomia mostram que tratar a obesidade com esses medicamentos reduz hospitalizações, internações e complicações como infarto, AVC e hepatite, tornando o custo-efetivo em vários cenários.
  • A solução não está apenas nos remédios: é preciso uma política de Estado antiobesidade, com prevenção, regulação da publicidade de ultraprocessados, tributação de bebidas açucaradas, infraestrutura que favoreça caminhar e pedalar, e atenção primária capaz de tratar obesidade como doença crônica.
  • Sem uma cadeia de prevenção forte, usar os medicamentos é como tapar o sol com a peneira: caro, ineficiente e injusto com quem não tem acesso sem políticas públicas.

O custo dos novos medicamentos antiobesidade é tema de debate no Brasil, entre especialistas, gestores de saúde e pacientes. Os tratamentos com GLP-1 e co-agonistas, como semaglutida e tirzepatida, são caros, variando de R$ 800 a R$ 2.500 por mês, conforme dose e molécula. Para trabalhadores de renda média, a despesa pode inviabilizar o uso, e, no SUS, a ausência de uma política de incorporação torna o acesso praticamente impossível.

A discussão, no entanto, não deve partir do custo imediato. A questão central é o custo de não tratar a obesidade. Do ponto de vista da farmacoeconomia, a obesidade é uma doença crônica que eleva o risco de infarto, AVC, esteatose hepática, apneia do sono e outras condições. Tratamentos modernos podem reduzir internações e procedimentos, trazendo ganhos em qualidade de vida e produtividade.

Dados internacionais mostram que, ao considerar hospitalizações evitadas, cirurgias adiadas, dias de trabalho perdidos e mortalidade, os remédios antiobesidade podem ser custo-efetivos ou até poupadores de recursos. Em cenários específicos, o custo de não tratar supera o valor investido em terapias farmacológicas.

Receita de Estado

Para além dos medicamentos, a eficácia depende de políticas públicas estruturais. Regulamentação da publicidade de ultraprocessados destinados a crianças e tributação a bebidas açucaradas são apontadas como medidas relevantes. Infraestrutura urbana que favoreça caminhadas e uso de bicicleta, bem como alimentação escolar de qualidade, completam o conjunto.

Especialistas destacam a necessidade de reforçar a atenção primária para identificar obesidade como doença crônica, não como falha individual. Sem uma cadeia de ações coordenadas, o uso de medicamentos isolados tende a ampliar desigualdades de acesso e manter custos elevados de tratamento de complicações.

A visão de longo prazo envolve a construção de uma estratégia nacional que combine prevenção, regulação, infraestrutura e tratamento. A farmacoeconomia aponta que políticas públicas bem desenhadas minimizam impactos de doenças associadas à obesidade, tornando o investimento mais eficiente no conjunto do sistema de saúde.

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