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Da guerra à seca nos EUA, alta do algodão favorece produtores brasileiros

Alta de mais de vinte por cento nos preços do algodão, puxada pela seca nos EUA e demanda chinesa, abre janela de lucro para produtores brasileiros

Produtores brasileiros aceleram vendas da safra e planejam ampliar área plantada na próxima safra
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  • O Brasil, já maior exportador global de algodão, deve registrar recorde de 3,1 milhões de toneladas na temporada que termina em junho, cerca de 9% acima da anterior.
  • Os preços do algodão subiram mais de 20% neste ano, atingindo o maior valor desde 2024, impulsionados pela seca nos EUA e pela demanda chinesa.
  • Há deslocamento da demanda para a fibra natural, com o fechamento do Estreito de Ormuz reduzindo embarques de nafta e prejudicando fibras sintéticas concorrentes.
  • Agricultores brasileiros, como Sergio Pitt, na Bahia, ajustaram vendas para cobrir maior parte da safra à medida que os preços sobem. Pitt espera média de venda cerca de 10% superior neste ano.
  • O Brasil ganha participação no mercado global, respondendo por cerca de um terço dos embarques, enquanto condições climáticas estáveis no Centro-Oeste ajudam a manter a safra brasileira confiável.

O algodão brasileiro ganha espaço significativo em meio a uma alta de preços impulsionada por dois fatores distintos: tensões no Irã e seca nos Estados Unidos. A valorização já passa de 20% neste ano, atingindo o maior nível desde 2024 neste mês.

A demanda por fibra natural aumenta à medida que cortes no Estreito de Ormuz reduzem embarques de nafta, competidora das fibras sintéticas. Clima seco nas áreas produtoras dos EUA contribui para a inclinação positiva dos preços.

Anea projeta que o Brasil registre um recorde de vendas de 3,1 milhões de toneladas na temporada que termina em junho, frente a um incremento de cerca de 9% comparado à anterior. China e Índia influenciam o movimento de embarques.

O país é o maior exportador global da commodity, ultrapassando os EUA, com cerca de um terço dos embarques mundiais. A produtividade brasileira ganha espaço frente a períodos de clima adverso no Texas e regiões norte-americanas.

Agricultores da Bahia, como Sergio Pitt, aproveitam o momento. Antes da alta, ele vendia em torno de um terço da safra; com os preços em alta, passou a garantir 90% da produção que começará a colher no próximo mês.

“Meu preço médio de venda este ano será cerca de 10% mais alto”, afirma Pitt. A elevação de preços coincide com custos agrícolas relativamente elevados no Brasil, pressionando fertilizantes e crédito rural.

A relação comercial com a China, maior importador mundial, amplia o posicionamento brasileiro no mercado. Também houve remoção temporária de tarifas de importação da Índia, fortalecendo o fluxo de embarques.

No atual cenário, analistas estimam que futuras cotações possam subir caso haja uma nova quebra de safra no Cinturão do Algodão dos EUA, elevando as cotações para perto de US$ 1 por libra. Atualmente, os contratos em NY ficam próximos de 80 centavos.

O Brasil aparece como uma origem de custos relativamente eficiente, o que sustenta a produção mesmo com volatilidade de preços. Agricultores devem manter foco em planejamento de área e insumos para a próxima safra.

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