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Desperdício no sistema de saúde: tratar doenças evitáveis é o maior problema

Maior desperdício é tratar doenças evitáveis; a prioridade é prevenção, monitoramento contínuo e cuidados fora do hospital para reduzir internações e custos

No Brasil, os gastos com saúde já representam cerca de 9% do PIB, com predominância do investimento privado – aproximadamente 5% – em comparação ao gasto público, de cerca de 4%.
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  • O texto aponta que o maior desperdício do sistema de saúde é tratar doenças evitáveis, destacando que o problema é global e cresce com custos e envelhecimento da população.
  • Dados internacionais mostram o peso financeiro: nos Estados Unidos, saúde consome 17,5% do PIB; na Europa, Suíça gasta mais de 11% do PIB e 72% dos custos são com doenças crônicas não transmissíveis, muitas evitáveis.
  • No Brasil, os gastos com saúde correspondem a cerca de 9% do PIB, com aproximadamente 5% em investimento privado e 4% em gasto público.
  • Os custos com cuidados de longa duração devem aumentar em torno de 2,6% ao ano até 2050, segundo a OCDE, à medida que envelhece a população.
  • A proposta é transformar hospitais, com foco maior em prevenção, coordenação de cuidados, monitoramento e uso de telemonitoramento e modelos como hospital em casa; o objetivo é evitar procedimentos demorados e tornar o sistema mais sustentável.

Ao longo da trajetória no setor de saúde, Rogério Reis aponta um paradoxo: a maior parte dos recursos é gasta para tratar doenças que poderiam ser evitadas. A avaliação vale para o Brasil e para o mundo, conforme ele observa.

Dados recentes mostram o desafio: nos Estados Unidos, o gasto chega a 17,5% do PIB, sem refletir melhoria de qualidade. Na Europa, Suíça destina mais de 11% do PIB, com custos per capita acima de US$ 8 mil anuais. A maioria dos gastos envolve doenças crônicas evitáveis.

No Brasil, o gasto com saúde fica em torno de 9% do PIB, com a participação privada levemente maior que a pública. Os gastos com cuidados de longa duração devem crescer a partir de projeções da OCDE, em média 2,6% ao ano até 2050.

Contexto internacional

Especialistas ressaltam que o futuro da saúde depende de prevenção. O foco passa a ser evitar que procedimentos sejam necessários, e não apenas ampliar tratamentos. A gestão de custos envolve reduzir internações por meio de medidas preventivas.

Desafios locais e caminhos

Envelhecimento populacional intensifica a demanda por serviços. Países desenvolvidos, incluindo o Canadá, já enfrentam o desafio com doenças crônicas combinadas à idade avançada. O Brasil acompanha esse movimento e precisa de mudanças estruturais.

Transformação do papel do hospital

Hospitais devem atuar na coordenação, monitoramento e prevenção, não apenas no tratamento agudo. Modelos de acompanhamento contínuo e telemonitoramento reduzem internações e custos, segundo a visão italiana de progresso em saúde.

Redesenho da atenção à saúde

Cresce a adoção de modelos como hospital at home, com uso de tecnologia e atenção primária estruturada. O objetivo é liberar leitos para casos complexos e assegurar atuação especializada do hospital do futuro.

Suma de estratégias

Para a sustentabilidade, é preciso inverter incentivos, priorizando prevenção. Fortalecer a atenção primária, usar dados para identificar riscos e promover hábitos saudáveis são pilares destacados na proposta.

Consideração final

Segundo Rogério Reis, a maior eficiência não está em realizar mais procedimentos, e sim em evitar a necessidade deles. Essa visão orienta o caminho para um sistema de saúde mais eficiente e sustentável.

Rogério Reis é vice-presidente da Rede Américas.

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