- Engie está reposicionando o portfólio, ampliando investimentos em hidrelétricas e linhas de transmissão, com foco na usina Jaguara e em novas transmission lines.
- A empresa venceu o Leilão de Reserva de Capacidade e prevê ampliar Jaguara de 424 MW para 656 MW, investindo R$ 1,2 bilhão; as novas turbinas devem funcionar a partir de agosto de 2030.
- A transferência de 40% da Usina de Jirau para a Engie Brasil elevaria a participação hidrelétrica do grupo de 62% para 75%, com a concessão até 2047.
- Em transmissão, a Engie arrematou os lotes 2 e 3 do leilão da Aneel, com investimento de R$ 1,5 bilhão; licenças e avanços ocorrem em Asa Branca e Graúna.
- No primeiro trimestre de dois mil e vinte e seis, a Engie teve receita operacjonal líquida de R$ 3,4 bilhões e EBITDA ajustado de R$ 2,2 bilhões; foram 1,4 GW de usinas em operação desde 2025.
A Engie está reavaliação de seu portfólio diante da crise no setor elétrico, marcada pela sobra de energia renovável. A empresa planeja incorporar a Usina Hidrelétrica de Jirau e ampliar a participação em linhas de transmissão, fortalecendo a geração hidrelétrica e a infraestrutura de transmissão.
Segundo o CEO Eduardo Sattamini, a estratégia busca reduzir o curtailment, que hoje chega a cerca de 17% da energia produzida em parques eólicos e solares. A empresa não investirá em nova capacidade intermitente sem sinalização clara de necessidade do sistema.
A empresa já tem atuação significativa no segmento, com cerca de 13 GW de capacidade instalada no Brasil, representando aproximadamente 6% da potência nacional. A Engie reforça hidrelétricas, que respondem por cerca de 70% de sua produção, e linhas de transmissão, com 3.205 km operados.
Portfólio e aquisições
A Engie participou do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) e garantiu 195,78 MW da Usina Jaguara, entre Minas Gerais e São Paulo. Será instalada em duas turbinas de 116 MW cada, elevando a potência de Jaguara de 424 MW para 656 MW.
A empresa também sinalizou a intenção de incorporar a Usina de Jirau, na região amazônica, mantendo participação de 40% na usina por meio da Engie Participações. A operação ampliaria a fatia hidrelétrica do portfólio de 62% para 75%.
A transferência de participação de Jirau ainda está em negociação, com informações indicando apoio de bancos para viabilizar a operação por meio de oferta pública, envolvendo Itaú BBA e Santander.
Linhas de transmissão
No setor de transmissão, a Engie arrematou lotes do último Leilão de Transmissão da Aneel, para implantação de linhões e compensadores síncronos nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Ceará, com investimento estimado em 1,5 bilhão.
O projeto Asa Branca, que liga Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo, recebeu licença de instalação para quatro linhas de transmissão e a Subestação Medeiros Neto II. O empreendimento Graúna avança com licenciamento ambiental e liberação fundiária.
Resultados financeiros
No primeiro trimestre de 2026, a Engie registrou receita líquida de 3,4 bilhões de reais, alta de 13,1% ante o mesmo período de 2025. O Ebitda ajustado ficou em 2,2 bilhões, crescimento de 10%. Entre janeiro e março, entraram em operação 1,4 GW de usinas compradas entre 2025 e 2026.
Distorções do mercado
Sattamini critica o atual regime de subsídios às renováveis e o crescimento da geração distribuída, que alimentam o curtailment. A Engie sustenta que o desequilíbrio de oferta e demanda ocorre por preços inadequados e por incentivos mal alinhados.
O CEO sugere usar a energia ociosa por meio de baterias para deslocar o fornecimento entre horários e regiões, mantendo potência disponível para atender picos de demanda. O uso de baterias é alvo de avaliação para possível leilão pelo ONS.
Sattamini aponta ainda para a instabilidade regulatória e jurídica no setor, citando dúvidas sobre a homologação de leilões de capacidade e impactos em projetos como Jaguara, que dependem de contratos e ações de longo prazo para evitar perdas financeiras.
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