- Em 2025, bancos brasileiros investiram R$ 47,8 bilhões em tecnologia, com grande parte destinado a IA, big data e analytics, conforme a ABES.
- O Pix atingiu 313,3 milhões de transações em um único dia em dezembro de 2025, e 82% das transações bancárias já ocorrem por canais digitais, aponta a Deloitte.
- A IA já decide crédito, taxas e bloqueios de transações em tempo real, além de monitorar padrões de gasto e detectar fraudes.
- O Banco Central não estabelece regra específica para IA até o fim de 2026; o tema de explicabilidade — explicar decisões automatizadas — é central, com proposta de normas que incluiriam explicabilidade mínima, avaliação de impacto e inventário de sistemas.
- Riscos incluem discriminação algorítmica, vulnerabilidades cibernéticas e concentração de modelos; questões de governança e responsabilidade aparecem quando decisões afetam clientes, especialmente em cenários globais como Claude for Financial Services e deslocamento de empregos na indústria financeira.
O sistema financeiro brasileiro já opera com IA em decisões que afetam o dia a dia de pessoas, como crédito, tarifas e pagamentos. Bancos investem pesado em tecnologia, enquanto o Banco Central ainda não estabeleceu regras específicas para o uso dessas ferramentas.
Em 2025, o setor destinou cerca de 47,8 bilhões de reais a tecnologia, com boa parte em IA, big data e analytics, segundo a ABES. O Pix registrou 313,3 milhões de transações em um único dia, no fim de 2025, segundo o BC. Hoje, 82% das transações já ocorrem por canais digitais.
Explicabilidade é o ponto central do debate regulatório. Quando o banco nega crédito, o consumidor tem direito à explicação; com IA, o raciocínio pode ficar oculto. O BC incluiu IA na agenda para 2025/2026, mas admite que não haverá regra específica até o fim de 2026, segundo o chefe de Regulação, Antonio Guimarães.
Em 2023, o BC publicou um Relatório de Avaliação de Impacto Regulatório sobre IA no sistema financeiro, sinalizando requisitos de explicabilidade, avaliação de impacto algorítmico e inventário de sistemas. Ainda assim, muitos mecanismos permanecem indefinidos.
Panorama global e inovações
No exterior, bancos anunciam mudanças profundas com IA. O Goldman Sachs afirmou que 95% do conteúdo de IPO pode ser gerado por IA em minutos, reduzindo prazos anteriores. O JPMorgan reconheceu que a IA já desloca empregos, citando impactos no quadro de funcionários.
A Anthropic apresentou o Claude for Financial Services, versão de IA para bancos, gestoras e seguradoras. A ferramenta realiza análise de balanços, modelagem financeira e auditoria. Além disso, templates de agentes autônomos já chegam a plataformas como FactSet e Morningstar.
Riscos existem: vulnerabilidades cibernéticas, falta de transparência e vieses nos dados. O BIS alerta para possível discriminação algorítmica e concentração de risco, caso muitos usem o mesmo modelo. A tarefa de fiscalização envolve jurisdições diferentes e modelos de decisão amplamente complexos.
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