- InternetSul alerta que o fim da escala 6×1 pode impactar a sustentabilidade dos provedores regionais de internet e investimentos em conectividade, principalmente no interior e áreas rurais.
- A entidade publicou um position paper técnico sobre os efeitos econômicos e sociais da proposta para o setor de telecomunicações.
- Dados mostram que o Brasil tem mais de vinte mil provedores regionais ativos, responsáveis pela maior parte da oferta de banda larga fixa em mais de setenta por cento dos municípios.
- A associação diz que, sem a escala 6×1, seria necessário ampliar imediatamente equipes para manter serviços 24 horas por dia, sete dias por semana, elevando custos operacionais e podendo comprometer investimentos.
- Entre os impactos citados estão aumento de encargos previdenciários, maior OPEX, mais gasto com treinamento, pressão de preços aos consumidores e possível piora da inclusão digital em regiões de baixa densidade.
A InternetSul emitiu um alerta sobre o possível fim da escala 6×1 no mercado de telecomunicações. A entidade, que representa provedores de internet do Rio Grande do Sul, publicou um position paper técnico sobre efeitos econômicos e sociais da proposta para o setor.
O documento aponta que mudanças na jornada de trabalho precisam considerar a operação contínua do setor. Segundo o diretor jurídico da associação, Henrique Kehl, a telecomunicação funciona 24/7 e alterações estruturais na jornada afetam operação, custos e investimentos dos ISPs regionais.
O estudo utiliza dados da Anatel e do Ministério das Comunicações para afirmar que o Brasil tem mais de 20 mil provedores regionais ativos. Essas empresas respondem pela maior parte da banda larga fixa em mais de 70% dos municípios, principalmente onde as grandes operadoras atuam menos.
Impactos potenciais
A InternetSul sustenta que a eliminação da escala 6×1 exigiria ampliação imediata de quadros operacionais para manter serviços como suporte técnico, monitoramento de redes e atendimento 24×7. O aumento de custos trabalhistas seria sentido junto a encargos, obrigações técnicas e insegurança tributária.
Entre os impactos citados estão: elevação de encargos previdenciários, aumento do OPEX, maior gasto com treinamento e reposição de equipes, pressão sobre preços ao consumidor e menor capacidade de investimento em expansão e modernização das redes.
Regiões de baixa densidade
A entidade alerta que os efeitos podem ser mais severos em localidades de baixa densidade populacional, onde o custo de implantação já é elevado. Pequenos e médios provedores, que operam com margens mais estreitas, estariam mais vulneráveis a alterações no custo operacional.
Segundo Kehl, mudanças no custo operacional podem inviabilizar a expansão de redes ou comprometer a sustentabilidade da operação nessas regiões, ampliando desigualdades digitais.
Diálogo e futuro
A InternetSul reconhece a legitimidade do debate sobre condições de trabalho, desde que haja análise técnica e compreensão da realidade operacional do setor. A associação se mostra aberta ao diálogo com o Congresso, o Ministério do Trabalho, a Anatel e entidades de trabalhadores para buscar soluções compatíveis com a continuidade dos serviços.
Para a entidade, fragilizar financeiramente os provedores regionais pode afetar diretamente a inclusão digital no país, uma vez que a internet hoje atua como infraestrutura essencial para educação, saúde, renda e desenvolvimento econômico.
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