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Master usou R$ 5,4 bilhões para ocultar dívidas de empresas ligadas ao banco

Fundo SDG II comprou empréstimos ligados à fraude para limpar balanço do Master, transferindo calotes aos cotistas e abrindo espaço para novos empréstimos

Banco Master — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
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  • O fundo SDG II comprou 3,6 bilhões de reais em empréstimos ligados à fraude envolvendo Daniel Vorcaro, para limpar o balanço do Master e afastar créditos de má qualidade.
  • Com a venda, o Master ganhou espaço financeiro para novos empréstimos e captação de recursos via CDBs; o impacto de calote ficou com os cotistas do SDG II, e a cobrança passou a ser feita pelo fundo.
  • O SDG II segue ativo, com 5,4 bilhões de reais em ativos, tendo dois cotistas: Hans 95 e a empresa MKS Soluções Integradas, segundo a CVM.
  • Entre os tomadores de empréstimos repassados ao fundo estão Lormont Participações, ligada a Nelson Tanure, e Banvox, ligado a Mauricio Quadrado; debêntures da Banvox passaram a constar em DV Holding, após mudança societária.
  • As operações ocorreram entre 2020 e 2024; o Banco Master não respondeu aos questionamentos da reportagem.

O Fundo SDG II, ligado ao Banco Master, comprou 3,6 bilhões de empréstimos ligados a uma fraude envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A operação visou limpar o balanço do Master e reduzir o peso de créditos de má qualidade.

Segundo apurações, o SDG II mantém 5,4 bilhões de reais em ativos e continua ativo com dois cotistas, conforme dados da CVM. Entre eles está o Hans 95, por meio do fundo Anna, um dos seis fundos identificados pelo BC nas investigações contra o Master.

A contabilidade indica que o Master captava dinheiro via CDBs, repassava parte para empresas de fachada e parte para fundos, que compravam esses empréstimos. Os calotes ficavam com os FIDC, não com o banco, conforme o fluxo analisado.

Estrutura da operação e impactos

A venda de créditos melhorou, apenas no papel, a posição do Master, liberando espaço para novos empréstimos e captação via CDB. O impacto de eventuais inadimplências começou a cair das contas do banco e passou a recair sobre cotistas do SDG II.

Entre os principais tomadores de empréstimos depois repassados ao fundo estão Lormont Participações, com quase 553 milhões, e Banvox, ligado a Mauricio Quadrado. O SDG II detém debêntures da Banvox no valor de 380 milhões.

A relação entre as partes mostra que as debêntures da Banvox passaram a constar em nome da DV Holding, após a saída de Quadrado do Master. A assessoria da Banvox afirmou que as operações entre detentores ocorreram no mercado secundário, sem participação da Banvox Holding.

Outras empresas aparecem no balanço do SDG II, como a Super Empreendimentos e Participações, com créditos a receber de 22 milhões. A Folha mostrou que a Super funcionava como braço financeiro de Vorcaro.

Ao todo, o SDG II integra um grupo de 82 FIDCs relacionados ao Master, que somam ativos de 65,5 bilhões de reais. O SDG II é o quarto maior desse conjunto, segundo a reportagem.

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