- A Planner, corretora fundada em 1995, está sob a mira da Operação Compliance Zero da Polícia Federal e participou da aquisição da Ciabrasf, que fazia parte do grupo Reag.
- A B100 adquiriu a Ciabrasf em novembro, com pagamento simbólico de R$ 1 mil mais earn-out de 15% da receita líquida a ser pago ao longo de dez anos, ligando o negócio ao grupo do empresário Carlos Arnaldo Borges de Souza.
- A Ciabrasf passou a integrar o grupo do Reag, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em janeiro, no âmbito da investigação da Carbono Oculto.
- A Planner, que já atuou no varejo e no institucional, triangulou com ativos da Reag e tentou reorganizar fundos junto à liquidante APS Serviços Especializados, envolvendo cerca de 220 fundos e aproximadamente R$ 80 bilhões.
- Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, foi figura-chave na Planner; a empresa também aparece em desdobramentos da Greenfield e em comissões de fundos de pensão, conforme afirmou o executivo em entrevista.
A corretora Planner está no centro de investigações relacionadas à Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A empresa, fundada em 1995, atuou principalmente no varejo de investimentos e, nos últimos anos, teve operações de aquisição de carteiras de clientes e alterações na estrutura societária. O movimento mais recente envolveu a aquisição, pela holding da Planner, da Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (Ciabrasf), que fazia parte do grupo Reag, objeto de investigações na operação Carbono Oculto e liquidado pelo Banco Central em janeiro.
Entre 2003 e 2015, a Planner fortaleceu sua presença no varejo ao comprar carteiras de corretoras como DC, Theca e Talarico. Em 2018 criou uma divisão de fortunas e, em 2022, iniciou o processo de saída do varejo ao vender parte de sua carteira para o BTG Pactual. A empresa passou a atender sobretudo o público institucional, com serviços de administração fiduciária, fundos, câmbio e operações estruturadas, mesmo enfrentando prejuízos reportados pela imprensa financeira na época de venda para o BTG.
No fim de agosto de 2025, a holding da Planner, a B100, anunciou a aquisição da Ciabrasf, controlada pela Reag, em operação concluída em janeiro, pouco antes da liquidação extrajudicial da Reag Trust DTVM. A transação envolveu 97% das ações por um valor simbólico de R$ 1 mil, acrescido de um earn-out de até 15% da receita líquida a ser paga ao longo de dez anos. A operação reposicionou o grupo de Carlos Arnaldo Borges de Souza, proprietário da Planner, que já reúne ainda Redwood, Vorare Real Estate, Bem Fácil Digital e ACCredito.
A Ciabrasf passou a integrar o portfólio do grupo, que já incluía investimentos institucionais de terceiros avaliados em cerca de R$ 19 bilhões na época. Em fevereiro, a Planner fechou acordo com a liquidante APS Serviços Especializados para retomar operações de fundos congelados, com a ideia de reorganizar carteiras para cumprir requisitos regulatórios. A transferência de ativos ocorreu de modo gradual, com fundos sendo transferidos para outras administradoras conforme a regularização permitia.
Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, teve passagem pela Planner e chegou a ocupar posição de sócio na corretora. Quadrado também integrou a equipe que atuou na custódia de ativos, abrindo a Trustee DTVM após deixar a sociedade no Master, em linha com as investigações que cercam o caso. A Planner já havia figurado em outras operações investigadas, como Greenfield, além de ser mencionada em debates da CPMI sobre desvios em fundos de pensão.
Em maio, a CBSF — empresa de administração fiduciária vinculada à Reag e vendida para a holding da Planner — teve seu nome alterado para B100 S/A. Em entrevista ao Valor, o empresário Carlos Arnaldo Borges de Souza afirmou que não houve indiciamento nem comprovação de falhas por parte da Planner, ainda que a firma tenha administrado fundos como Eldorado Florestal e Multiner durante o periodo sob escrutínio.
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