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Roupas de academia podem ficar até 60% mais caras com investigação do governo

MDIC investiga Yiwu Huading Nylon; se dumping for comprovado, sobretaxa de até 108% pode elevar preço final de roupas esportivas em até 60%, afetando até 144 mil empregos

Setor têxtil teme sobretaxa de até 108% sobre matéria-prima importada da China
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  • O MDIC abriu uma investigação preliminar contra a Yiwu Huading Nylon Co., Ltd, fabricante chinesa, por indícios de dumping nas exportações de poliamida para o Brasil, após petição da indústria doméstica.
  • Se ficar comprovado dumping e dano à indústria, poderá ser aplicado um direito antidumping específico à Huading, conforme desfecho final do processo.
  • Desde dezembro de 2025, o Brasil já cobra sobretaxa antidumping sobre poliamida importada de China, Coreia do Sul e Taiwan, com alíquotas variando por país.
  • Representantes da indústria se reuniram com o ministro Márcio Elias Rosa em 26 de maio; a decisão sobre eventual sobretaxa será discutida em reunião do Conselho Executivo de Gestão em 28 de maio.
  • O setor informa que uma nova taxação pode elevar o custo do insumo e, consequentemente, o preço de roupas esportivas em até 60%; o setor emprega mais de 55 mil pessoas diretamente, com impactos estimados de até 144 mil empregos na cadeia. O Brasil consome cerca de 80 mil toneladas anuais do insumo, atualmente custando em média US$ 2,52 por quilo, podendo subir para até US$ 2,72.

O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) investiga a Yiwu Huading Nylon Co., Ltd, fabricante chinesa de poliamida. A apuração analisa suposto dumping nas exportações ao Brasil, com potencial de aplicação de direito antidumping.

A investigação foi aberta após petição da indústria brasileira e identificou indícios de prática desleal, dano à indústria nacional e nexo causal, conforme nota do ministério. O prazo para conclusão foi prorrogado para até 18 meses.

A medida, que já vigora desde dezembro de 2025, aplica sobretaxa a fornecedores asiáticos de insumos para tecidos esportivos. A nova apuração mira a Huading, que não foi coberta pela regra anterior.

Investigação mira fabricante chinesa

Representantes da indústria têxtil e importadores de poliamida participaram de reunião com o ministro Márcio Elias Rosa. O setor enfatizou riscos de novas sobretaxas caso o dumping seja confirmado e a medida seja aplicada.

O ministro afirmou que a questão será tratada com equilíbrio e uma deliberação colegiada. A pauta da reunião passou para o Conselho Executivo de Gestão, com data marcada para 28 de maio, segundo nota enviada ao R7.

Impactos econômicos previstos

Caso haja confirmação de dumping e dano, o texto pode exigir a aplicação de um direito antidumping específico para a Huading. O setor estima alta de até 108% na alíquota final.

Esse cenário pode elevar o preço da poliamida para o Brasil entre 26% e 42, e o preço ao consumidor final em até 60%. A indústria alerta que a reação pode reduzir a competitividade de peças nacionais frente a importadas da Ásia.

A cadeia produtiva emprega diretamente mais de 55 mil pessoas e pode ter até 144 mil empregos impactados ao longo de toda a cadeia. O consumo anual estimado da matéria-prima é de cerca de 80 mil toneladas, com custo atual médio de US$ 2,52 por quilo.

Contexto regulatório

As sobretaxas, instituídas no fim de 2025, cobrem fios de filamentos contínuos de nylon, poliamida 6 e 6,6 com título inferior a 50 tex. A cobrança ocorre por meio de alíquota em dólares por tonelada, variando por país e empresa exportadora.

Para a China, as alíquotas variam entre US$ 167,98 e US$ 1.860,68 por tonelada; para a Coreia do Sul, entre US$ 77,85 e US$ 2.085,16; e para Taiwan, entre US$ 159,91 e US$ 2.583,01. As medidas foram justificadas pela existência de dumping e danos à indústria brasileira.

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