- O IPCA-15 de maio avançou 0,62% (semana 0,9% em abril), acumulando alta de 4,6% em doze meses e, pela primeira vez desde outubro de 2025, ficou acima do teto de 4,5% do regime de metas.
- A leitura de maio ficou acima da mediana de expectativas, que era 0,57%; a pressão veio principalmente dos alimentos, que subiram menos do que o previsto no mês anterior, mas ainda pressionam o índice.
- O recuo de determinados itens ficou contido pela alta da energia e pela inflação de alimentos, alimentando o desconforto com a “inflação do supermercado”.
- As pressões também são atribuídas a fatores externos — guerra no Oriente Médio e condições climáticas atípicas — além da perspectiva de El Niño no fim do ano, que pode elevar custos de produção e logística.
- O Copom deve manter um caminho de cortes de juros mais lento, com expectativa de encerrar o ciclo próximo de 13,25% ao ano; a inflação projetada para 2026 fica em torno de 5,5%.
O IPCA-15 de maio, divulgado pelo IBGE, aponta aceleração da inflação no Brasil. O indicador ficou em alta e sinaliza que a pressão de preços deve permanecer neste ritmo até o fim do ano. O dado reforça a percepção de inflação pressionada no curto prazo.
No mês, o IPCA-15 subiu 0,62%, frente 0,90% em abril. A alta de maio ficou acima da mediana das expectativas, que era de 0,57%. O acumulado em 12 meses chegou a 4,6%, acima do teto de 4,5% pela primeira vez desde outubro de 2025.
A principal contribuição veio de alimentação no domicílio e tarifas de energia. A combinação de conflitos no Oriente Médio, clima atípico e impactos do El Niño são apontados como fatores-chave para as pressões. O cenário mantém a inflação acima da meta em 2026.
Causas e componentes
O peso da alta ficou nos alimentos e na energia, o que alimenta o debate sobre a chamada inflação do supermercado. Enquanto os preços de combustíveis recuaram por ajustes internacionais, a pressão de alimentos permaneceu mais resistente.
Economistas apontam que o aumento de 2026 está ligado a fatores como custos logísticos, fertilizantes e ao efeito climático. O El Niño deve ampliar as projeções de custo até o último trimestre do ano, elevando a inflação de curto prazo.
Perspectivas e política monetária
As projeções para o IPCA cheio deste ano já indicam cerca de 5,5%. A inflação de curto prazo não deve recuar para dentro do intervalo de tolerância. Em termos de política monetária, o mercado espera um ciclo de cortes da Selic mais lento e limitado, com taxa final prevista em 13,25% ao ano.
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