- Bancos brasileiros ficaram mais rigorosos ao conceder crédito ao setor agro, exigindo garantias mais fortes que possam ser executadas mesmo em ocasiões de recuperação judicial.
- As medidas incluem estruturas de garantias mais rígidas e prioridade para alienação fiduciária, com o Banco do Brasil destacando que parte dos empréstimos da safra atual já utiliza esse formato.
- Quase 2.000 pedidos de recuperação judicial no agro foram registrados no ano passado, índice mais de dez vezes maior que em 2021, segundo a Serasa Experian.
- A Caixa Econômica Federal também mira uma estrutura de garantias mais robusta e tem priorizado a alienação fiduciária onde cabível.
- A conjuntura envolve inflação de insumos, câmbio e juros elevados, com a importância do agro para as exportações brasileiras mantida, apesar das margens pressionadas e de debate sobre renegociação de dívidas e seguros rurais.
Os bancos brasileiros passaram a exigir garantias mais fortes ao conceder crédito ao setor agro, após o aumento no número de recuperações judiciais. Técnicas de proteção passaram a prever execução mesmo em reestruturações, substituindo mecanismos anteriores.
Dados da Serasa Experian indicam recorde de pedidos de recuperação judicial no agro no ano passado, perto de 2.000. O volume é mais de dez vezes superior a 2021, sinalizando maior risco percebido pelas instituições.
Entre as causas estão produtores que ampliaram áreas, maquinário e insumos na fase de alta de commodities. Com a queda de preços e valorização do real, a liquidez ficou apertada e as receitas de exportação ficaram pressionadas.
No Banco do Brasil, empréstimos para a safra que começou em julho adotaram estruturas de garantias mais rígidas. Ainda assim, parte significativa do crédito concedido não atingiu as projeções de recebimento de maio.
O banco relatou que a inadimplência da carteira de agronegócios subiu, atingindo 18,3% no primeiro trimestre, 14 pontos percentuais acima do mesmo período de 2024. A instituição não comentou sobre o tema.
A Caixa Econômica Federal também busca fortalecer garantias, priorizando alienação fiduciária onde cabível. O banco destacou que a qualidade da carteira e o uso de garantias têm ganhado peso nas operações.
O Bradesco, maior financiador privado do agro, apontou que parte do aumento de 27% nas provisões decorre de operações mais antigas. O banco não comentou o tema para esta reportagem.
A conjuntura brasileira segue destacando o agronegócio como grande motor da economia, com exportações de US$ 169,2 bilhões em 2025, alta de 3% frente ao ano anterior. O setor responde por quase metade das exportações.
Entretanto, custos de financiamento subiram após a pandemia. A Selic atingiu patamar elevado e, apesar de cortes recentes, o ritmo é mais lento, impactando margens de lucro e capacidade de investimento.
Especialistas apontam que margens comprimidas podem provocar dificuldades de pagamento em caso de novas crises climáticas ou de safra. Há cobrança por programas de renegociação com aval do governo.
Parlamentares discutem propostas para reduzir o peso da dívida no setor, incluindo renegociação com prazos maiores e juros subsidiados. Também há debate sobre regramento de seguro rural para riscos climáticos.
As discussões ocorrem em meio a pressões de custos com fertilizantes, diante de tensões geopolíticas, como a guerra no Irã, que elevam os preços de insumos.
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