- Cerca de noventa por cento da produção nacional de biodefensivos é feita no Brasil, reduzindo a dependência externa.
- Mesmo com crise de crédito no agronegócio, o segmento segue crescendo, com maior adoção em soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.
- A alta nos preços de defensivos químicos favorece substituições parciais por biológicos, com benefício de custo e sustentabilidade.
- A restrição de crédito impacta empresas químicas e biológicas; a indústria alonga prazos de pagamento, em alguns casos até 365 dias.
- A Koppert Brasil teve crescimento de 15% em 2025, projeta 10% a 15% de expansão em 2026, lança três novos produtos e planeja abrir três fábricas no Brasil, com captação de 100 milhões de euros rumo à independência financeira e possível abertura de capital.
Em meio à crise de crédito no agronegócio e ao aumento dos custos de insumos importados, o mercado de biodefensivos avança com firmeza no Brasil. Cerca de 90% da produção nacional é feita no país, o que reduz a dependência externa e favorece a relação de troca com o produtor rural.
Segundo o CEO da Koppert Brasil, Gustavo Herrmann, o setor de insumos agrícolas enfrenta dificuldade financeira, com aumento de recuperações judiciais entre distribuidores e produtores. Mesmo assim, o segmento biológico manteve o ritmo de crescimento.
A expansão ocorre principalmente em culturas de commodities como soja, milho, cana-de-açúcar e algodão, onde há menor margem para elevar custos por hectare. A alta de defensivos químicos, associada a tensões internacionais, abriu espaço para substituições parciais por biológicos.
Segundo o executivo, produtores têm trocado parte das aplicações químicas por biológicas, contratação antes mais pontual. O cenário atual favorece maior uso dos biológicos por custo mais baixo e perfil sustentável.
Herrmann aponta que a restrição de crédito afeta química e biológico de forma similar. A indústria tem assumido prazos de pagamento mais longos, em alguns casos de até 365 dias, para reduzir o CAPEX dos agricultores.
A Koppert Brasil fechou 2025 com alta de 15% e projeta crescimento orgânico entre 10% e 15% em 2026, com três lançamentos de novos produtos. A empresa mira expansão de operações no país e maior independência da matriz holandesa.
Em novembro, a Koppert iniciou captação de 100 milhões de euros, operada pelo Itaú BBA, para construir três novas fábricas no Brasil. A estratégia visa ampliar a produção local e facilitar acesso a instrumentos financeiros ainda não utilizados pela companhia.
A empresa vê o movimento como parte de uma mudança estrutural para reduzir a exposição cambial e a dependência de importações. A expectativa é anunciar a conclusão da captação até julho e avançar rumo a uma eventual abertura de capital no médio prazo.
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