- Economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, disse que a solução para o alto endividamento passa pelo ajuste do arcabouço fiscal, não pela eleição.
- Em evento da FGV Money Lab, ele ressaltou o paradoxo brasileiro: menor desemprego facilita o crédito, mas o endividamento permanece elevado.
- A política monetária restritiva eleva juros, encarece o pagamento de dívidas e reduz a renda disponível das famílias.
- Honorato explicou que o crédito é visto como antecipação do futuro, associando isso a uma taxa de impaciência alta no Brasil.
- Concluiu que a baixa poupança tem relação com fatores macroeconômicos, contas públicas e educação financeira, exigindo análise mais aprofundada.
O economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, participou nesta quarta-feira (27) do FGV Money Lab, em evento organizado pela Fundação Getulio Vargas, com apoio do Estadão. O tema foi o alto endividamento da população e os programas de renegociação de dívida.
Honorato ressaltou o paradoxo brasileiro: o país registra o menor índice de desemprego, o que favorece a estabilidade do crédito, mas o endividamento permanece elevado. O fator principal é a política monetária restritiva, que ele aponta como entrave ao consumo das famílias.
A alta dos juros eleva o peso das dívidas, reduzindo a renda disponível. Mesmo com renda em crescimento, o pagamento de parcelas compromete o orçamento familiar, explicou o economista. A consequência é um consumo menos responsivo a renda.
Contexto fiscal e crédito
O representante do Bradesco afirmou que a agenda fiscal precisa de foco. Para ele, o ajuste do arcabouço fiscal não gera votos imediatos, mas é essencial para equacionar o endividamento público e a sustentabilidade macroeconômica.
Honorato cita a visão de economistas de que o crédito funciona como antecipação do futuro. Ele enfatizou ainda a necessidade de entender a “taxa de impaciência” das famílias, que favorece o consumo presente frente à poupança.
O especialista comparou o Brasil a países asiáticos, onde a poupança tende a ser maior. Segundo ele, a falta de poupança pode ter causas diversas, incluindo a necessidade de lidar com imprevistos sem buffer financeiro.
Para ele, a baixa taxa de poupança está ligada à maior imprevisibilidade macroeconômica, às contas públicas e aos indicadores de curto prazo, como a política de juros. O tema exige investigação sobre fatores estruturais que influenciam a economia doméstica.
Honorato encerrou destacando a importância de aprofundar as razões da baixa poupança das famílias, apontando como isso pode contribuir para compreender o endividamento no Brasil. O evento reuniu economistas, executivos e especialistas.
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