- A CNMV aponta que empresas preferem sair a Bolsa em vez de vender ao private equity, com interesse na fórmula Easy Access.
- O supervisor vê tendência de dual track, com várias empresas estudando IPOs para o fim do ano, segundo a Citi.
- No ano passado, duas opções listadas com investidores financeiros tiveram perdas relevantes: Cirsa (-13%) e HBX (-41%).
- A saída da TSK, anunciada no dia 13 de maio, levantou cerca de 172,5 milhões de euros para ampliar o plano de transição energética e digitalização.
- A partir de 5 de junho entra em vigor a reforma europeia Listing Act, reduzindo o umbral mínimo de capital em Bolsa para 10%, impondo um folleto de até 300 páginas e reduzindo o prazo de colocação de seis para três dias.
O regulador espanhol CNMV aponta uma mudança de tendência no mercado acionário. Segundo o diretor de Mercados, Ángel Benito, há sinais de que as empresas estão preferindo abrir o capital antes de buscar financiamento com private equity. A observação vem em meio ao recorte de operações diretas com gestores de private equity e ao interesse de companhias em seguir a via de saída a Bolsa.
Jorge Ramos, executivo de banca de investimento do Citi para Espanha e Portugal, confirma uma carteira de empresas com planos de IPO para o final do ano. Entre as funções do banco estão assessoramentos em operações para Digi, Hip (Blackstone) e Ignis, que estariam avaliando saídas a mercado em montantes entre 500 milhões e 1 bilhão de euros. A aproximação de novidades reforça o cenário de maior atividade de Bolsa.
Mudança de cenário no mercado
As últimas duas operações de abertura de capital ocorridas em Espanha registraram perdas para investidores financeiros. Cirsa, controlada pela Blackstone, recuou 13% sobre o preço de colocação, enquanto HBX, dona da plataforma Hotelbeds, caiu 41%. A agência aponta a tendência de dual track, com empresas buscando tanto o debut quanto uma possível venda direta.
O especialista em mercados do Citi menciona que a conjuntura de 2026 tem visto maior interesse por saídas à Bolsa, com expectativas de que o regulador tenha abertura para novos formatos. Em paralelo, a CNMV destaca que a iniciativa Easy Access, lançada há um ano em parceria com a BME, não registrou aplicações até o momento, mas há interesse em explorar a via.
TSK abre caminho e novas regras
A emissão da empresa de engenharia TSK, realizada em 13 de maio, marca ponto de inflexão ao registrar valorização de 14% na estreia, com captação de cerca de 172,5 milhões de euros para ampliar o plano de transição energética e digitalização. A operação sinaliza retomada de dinamismo no mercado acionário espanhol.
Entrará em vigor no dia 5 de junho a maior parte da reforma europeia para facilitar a cotização, conhecida como Listing Act. O texto reduz o capital mínimo flutuante para 10% e flexibiliza requisitos para o processo de abertura de capital. A regra também padroniza folhetos com até 300 páginas e elimina parte de estudos operacionais e financeiros.
Simplificação e redução de prazos
Outra mudança envolve a simplificação de formatos de folheto para empresas que já operam em mercados alternativos e desejem migrar para a Bolsa, com folheto simplificado permitido. O tempo de colocação também cai de seis para três dias, reduzindo o risco para as entidades envolvidas. Benefícios esperados incluem menor burocracia e maior fluidez na entrada em mercado.
Angélica Benito reforça que, com o ajuste, a CNMV pretende tornar o processo mais atrativo e seguro para emissores que buscam captação pública. O mercado observa com cautela os próximos meses, diante de um cenário de maior competição entre Bolsa e private equity e de novas regras que afetam o tempo e o formato das operações.
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