- Estudo sigiloso encomendado pela Celepar, elaborado em março de 2025 pela EY-Parthenon, com mais de cento e sessenta páginas, analisa o modelo de desestatização e questões de governança, dados públicos e riscos financeiros.
- O documento recomenda transferir ativos de propriedade da Celepar para o governo, como o domínio .pr.gov.br e parte da infraestrutura de fibras, e reestruturar a gestão conforme o novo modelo.
- A análise aponta sete diretorias atuais e aponta que boa parte dos processos não é mais necessária ou poderia ser absorvida por outras áreas, sugerindo aumento de terceirização em setores como administração, jurídico, manutenção e infraestrutura.
- O relatório indica riscos com contratos públicos, já que oito contratos respondem por cerca de 82% do faturamento, e sugere acelerar renovações ou criar período de transição com prioridade de Celepar nesses acordos.
- Também trata de segurança de dados durante a privatização, destaca LGPD e ressalta que a privatização não deve comprometer serviços públicos; o STF suspendeu o processo em fevereiro, com retomada prevista para junho, e o custo do estudo foi de R$ 8.776.412,53.
Um estudo confidencial encomendado pela Celepar aponta caminhos para a eventual privatização da empresa de tecnologia do Paraná. O relatório, produzido em março de 2025 pela EY-Parthenon, analisa o modelo de negócio, ativos, estrutura e riscos financeiros da desestatização.
O documento, chamado Projeto Nex, tem mais de 160 páginas e sugere ajustes como revisão de domínios e propriedades intelectuais, reestruturação de pessoal e uso de dados públicos. O custo do serviço foi de quase 8,78 milhões de reais, com vigência prevista até agosto deste ano.
O processo de privatização está suspenso por decisão liminar do STF, em fevereiro, e deve ser retomado em junho. A avaliação do estudo ocorre em meio a esse cenário jurídico e a proximidades de possíveis mudanças na gestão de ativos do governo do Paraná.
Transferência de ativos e estrutura interna
O relatório sustenta que ativos-chave do governo do Paraná são, na prática, propriedade da Celepar, não do estado. Exemplifica com o domínio .pr.gov.br e fibras de edificações em Curitiba, defendendo a transferência para o governo e a contínua atuação da Celepar na gestão desses itens.
Atualmente, a Celepar é estruturada em sete diretorias, entre elas Presidente, Mercado, Desenvolvimento, Governança, Tecnologia, Administrativo-Financeiro e Gestão de Pessoas. O estudo aponta alta dependência de mão de obra direta, com 1.009 funcionários, e sugeriria redução de terceirização para alinhar o modelo a padrões privados.
Terceirização e gestão de pessoas
Na área de Gestão de Pessoas, o estudo indica haver um RH para cada 27 funcionários, índice abaixo da média de mercado na América, de 1 para 95. Em setores como administrativa, jurídica, manutenção e infraestrutura, sugerem-se substituições parciais por terceirizados para reduzir custos fixos, sem apontar números exatos de cortes.
Identificam-se 70 funcionários considerados estratégicamente críticos, com risco de descontinuidade caso deixem a empresa. O material recomenda estratégias de retenção, incluindo planos de carreira e reconhecimento, durante a desestatização.
Dados públicos, contratos e segurança
O documento alerta que o acesso a dados governamentais precisa ser definido para manter produtos de Data, Analytics e Inteligência Artificial. Além disso, contratos com o governo representam risco, pois oito contratos públicos respondem por 82% do faturamento da Diretoria de Mercado, elevando a importância de renegociações ou transição com prioridade de renovação.
Riscos de segurança de dados são destacados, principalmente pela possibilidade de solicitações de serviços não previstas contratualmente, o que pode dificultar o acompanhamento pela Celepar durante a privatização.
Posicionamento da Celepar e críticas externas
A Celepar afirmou que, na privatização, ativos serão transferidos ao estado antes da conclusão da operação e que informações sobre demissões em massa não correspondem à realidade. A empresa também ressaltou o compromisso com a LGPD e com a continuidade dos serviços públicos, mesmo em cenário privado, assegurando licitações para novas necessidades tecnológicas.
Críticos, como representantes da Fenadados, temem impactos na segurança de dados de cidadãos e destacam a importância estratégica da Celepar para o estado e para o país, caso informações sensíveis ficarem sob gestão privada.
Conclusões do estudo e próximos passos
O estudo de consultoria é apresentado como embasamento para cenários de mercado e discussões institucionais. A Celepar afirma que, se necessário, ativos poderão ser transferidos ao estado antes de qualquer operação, e que o objetivo é evitar descontinuidade de serviços.
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