- Entre novembro de 2025 e abril de 2026, estrangeiros responderam por 32% das vendas de estúdios e apartamentos de um dormitório na Zona Sul do Rio (Copacabana, Ipanema e Leblon), com 17 unidades de 54 vendidas por compradores externos.
- Os compradores estrangeiros incluem argentinos e pessoas da Inglaterra, Espanha, Suíça, França, Romênia e Nova Zelândia.
- O movimento acontece em meio a um turismo em expansão no estado: quase dois milhões de visitantes internacionais em 2025, alta de 45,93% frente a 2024, e 884 mil no primeiro trimestre de 2026.
- Economistas e executivos veem imóveis compactos como ativos de renda com maior liquidez, tiquete menor e boa localização, o que pode atrair incorporadoras, fundos e crédito imobiliário.
- O mercado carioca também teve alta de vendas em 2025, com 25 mil unidades, 18,8% acima de 2024, e deve manter o protagonismo de unidades compactas e de luxo em 2026.
Entre novembro de 2025 e abril de 2026, compradores estrangeiros responderam por 32% das vendas de estúdios e apartamentos de 1 dormitório na Zona Sul do Rio, em Copacabana, Ipanema e Leblon. Ao todo, foram 54 unidades comercializadas, com 17 adquiridas por estrangeiros, destacando argentinizos, além de compradores da Inglaterra, Espanha, Suíça, França, Romênia e Nova Zelândia.
A temporada coincide com o aumento do turismo internacional no estado. Em 2025, o Rio recebeu quase 2 milhões de visitantes internacionais, alta de 45,93% frente a 2024. No primeiro trimestre de 2026, os números mantiveram força, com 884 mil estrangeiros chegando ao estado, consolidando a liderança nacional em desembarques.
Cenário atual e perspectivas
Para analistas, imóveis compactos em bairros consolidados passam a funcionar como ativos de renda com apelo global. O tíquete mais baixo, a localização privilegiada e a demanda turística recorrente elevam a liquidez e a possibilidade de saída rápida, especialmente quando comparados a unidades maiores.
Segundo André Caruso, CEO da Pilar Capital, a presença internacional amplia a percepção de valor desses ativos. A demanda externa tende a intensificar a competição por unidades bem localizadas e apoiar a manutenção de preços em regiões premium, além de atrair projetos menores para incorporadoras e plataformas de crédito imobiliário.
A expansão de lançamentos compactos no Rio acompanha esse movimento. Entre janeiro e novembro de 2025, o mercado residencial carioca vendeu 25 mil unidades, alta de 18,8% ante 2024, marcando o melhor desempenho em seis anos. Apartamentos compactos e de luxo ganham relevância nas apostas para 2026, mesmo com juros elevados.
Para o mercado, o ponto central é a mudança no perfil do comprador e a viabilidade de uma tese baseada em escassez, renda e valorização em áreas consolidadas. Juros elevados, crédito mais seletivo e demanda por ativos de proteção patrimonial colocam o imóvel compacto como alternativa de investimento.
A realidade macroeconômica reforça a atratividade. Investidores avaliando ativos que combinam renda estável e potencial de valorização veem nos imóveis em regiões turísticas consolidadas uma opção com liquidez e flexibilidade de usos, de moradia temporária a locação por temporada. Caruso ressalta que isso abre espaço para estruturas de crédito imobiliário mais sofisticadas e menos dependentes do ritmo dos grandes bancos.
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