- Projeto Nex é um estudo técnico contratado pela Celepar por R$ 8,7 milhões, elaborado pela EY-Parthenon, com 160 páginas para orientar a desestatização e atrair investidores privados.
- O relatório aponta mudanças na estrutura de pessoal, sugerindo maior terceirização em áreas administrativas e jurídicas para reduzir custos fixos, enquanto a Celepar nega demissões em massa.
- Bens como o domínio de internet .pr.gov.br e a infraestrutura de fibra óptica de prédios públicos pertencem à Celepar; recomenda-se transferir esses ativos ao governo do Paraná antes da privatização.
- O estudo levanta riscos no uso de dados públicos, com preocupações sobre acessos de privados a bancos de dados governamentais para IA; a Celepar diz que seguirá a LGPD e passará pela ANPD.
- O processo de privatização está parado por decisão liminar do STF em fevereiro de 2026, com julgamento sobre continuidade da venda previsto para junho; 82% do faturamento vem de oito contratos públicos.
Um relatório estratégico elaborado pela EY-Parthenon para a Celepar aponta riscos financeiros e operacionais na privatização da empresa de tecnologia do Paraná. O estudo de 160 páginas detalha a situação atual e oferece recomendações para atrair investidores privados.
O Projeto Nex, contratado pela Celepar por 8,7 milhões de reais, analisa o modelo de negócio da empresa e orienta a desestatização. O objetivo é mapear ajustes estruturais, operacionais e de dados para facilitar o ingresso de capital privado.
O documento sustenta que a Celepar tem custos elevados e pouca terceirização em áreas administrativas. Em RH, a proporção é de 1 funcionário para 27, enquanto o mercado opera com 1 para 95. A recomendação envolve maior terceirização, sem demissões em massa anunciadas pela empresa.
Ativos e domínio digital sob risco
Entre os itens destacados, bens essenciais pertencem à Celepar mas deveriam migrar para o Estado. O domínio de internet .pr.gov.br e a infraestrutura de fibra óptica de prédios públicos em Curitiba estariam sob controle da empresa, segundo o estudo.
A sugestão é transferir esses ativos para o governo antes da privatização, para preservar a identidade digital e a infraestrutura básica do Estado. A medida busca evitar perda de controle estratégico pelo governo paranaense.
Riscos de uso de dados públicos
O relatório levanta preocupações sobre a venda de dados públicos para serviços de Inteligência Artificial. Entidades como Fenadados alertam para a exposição de informações de cidadãos. A Celepar afirma que operações obedecerão à LGPD e à fiscalização da ANPD.
Segundo a empresa, qualquer operação com dados seguirá normas de proteção e passará pelo crivo regulatório. O argumento é evitar uso indevido de informações sensíveis em produtos de IA.
Andamento do processo de privatização
O andamento está parado por decisão liminar do ministro Flávio Dino, do STF, determinada em fevereiro de 2026. A expectativa é retomada do julgamento sobre continuidade da venda em junho. O estudo também aponta que 82% do faturamento vem de oito contratos públicos.
Essa concentração de receita representa risco financeiro para potenciais compradores, segundo o relatório. O processo seguirá sob avaliação jurídica até a decisão final.
Conteúdo elaborado com informações da Gazeta do Povo.
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