- A proposta de fim da escala 6×1 avança, e a escassez de mão de obra especializada é apontada como principal impasse econômico pela analista Lucinda Pinto.
- No curto prazo, os setores mais vulneráveis são aqueles que dependem diretamente de pessoas para funcionar, como hotéis, bares, restaurantes e serviços em geral.
- O mercado de trabalho já está bastante apertado; pesquisa da FGV indica que 41% dos empresários tiveram dificuldade em contratar no final do ano passado, a maior taxa desde 2008.
- Se for preciso contratar mais trabalhadores, a pressão salarial tende a aumentar e o custo pode ser repassado aos consumidores; grandes empresas conseguem absorver parte do impacto, mas pequenas podem repassá-lo integralmente.
- Possíveis ajustes incluem recontratação com salários menores, além de investimentos em automação e inteligência artificial; há ainda um risco relacionado ao calendário eleitoral sobrepondo-se ao momento econômico.
A analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto, aponta que a escassez de mão de obra especializada é o principal entrave econômico da proposta de fim da escala 6×1. O tema ganha espaço no debate público e ganhou repercussão no CNN Prime Time.
Segundo ela, ainda não há uma medida objetiva para mensurar os impactos da mudança, mas há riscos no curto prazo, especialmente para setores que dependem diretamente de trabalhadores. Demais setores não costumam funcionar sem pessoas em atuação contínua.
A defesa do fim da 6×1 defende que efeitos negativos podem ser compensados com o tempo, como ocorreu em outros países que reduziram a jornada de trabalho. A analista ressaltou que o momento de implementação é crítico para o cenário econômico.
Mercado de trabalho sob pressão
Pinto destaca que o mercado de trabalho já se encontra apertado. Uma pesquisa da FGV com empresários mostra que, no final do ano passado, cerca de 41% relataram dificuldade em contratar trabalhadores, o maior índice desde 2008. A dificuldade tende a afetar profissionais mais técnicos.
Caso empresas precisem ampliar contratações, a pressão por salários maiores tende a subir. O custo adicional, segundo ela, tende a impactar o preço final ao consumidor. Grandes empresas podem absorver parte do impacto; pequenas devem repassar.
Caminhos de ajuste e riscos eleitorais
Entre os cenários de ajuste, a analista cita recontratação com salários menores em renovação de equipes e maior investimento em tecnologia, automação e IA para ampliar produtividade. O efeito no curto prazo seria absorvido ao longo do tempo.
Pinto alertou ainda sobre o risco de o calendário eleitoral coincidiu com o momento econômico, o que poderia gerar pressões adicionais. Ela enfatizou a importância de planejamento para reduzir distorções no ambiente macroeconômico.
Entre na conversa da comunidade