- O IPCA-15 subiu 0,62% em maio, acima da mediana das projeções do mercado, de 0,57%.
- O índice acumula alta de 4,64% em 12 meses, ante 4,37% em abril.
- A leitura projeta tendência para o IPCA, já que o IPCA-15 tem composição semelhante ao indicador oficial.
- O teto da meta de inflação para o acumulado de 12 meses é de 4,5%; o IPCA-15 indica pressões acima desse teto.
O IPCA-15 desacelerou para 0,62% em maio, conforme dados do IBGE divulgados nesta quarta-feira. O índice acumula alta de 4,64% em 12 meses, superando a meta e o teto de 4,5% para o período. Em relação às projeções de mercado, o resultado ficou acima da mediana de 0,57% apurada pelo Bloomberg.
O IPCA-15 serve como indicador prévio do IPCA, utilizado para orientar a política de juros. A divulgação ocorre antes do IPCA oficial, cuja leitura final sai em 12 de junho. A composição e o período de coleta são distintos entre os dois índices, o que explica a tendência semelhante, mas com diferenças relevantes.
As estimativas do mercado para maio variaram entre 0,47% e 0,65%, com a mediana em 0,57%. Com a leitura de maio, o IPCA-15 sinaliza cenário para o IPCA, mantendo o teto da meta para o acumulado em 12 meses. O resultado é acompanhado de cautela quanto ao cumprimento da meta de inflação.
Contexto externo e impactos esperados
Analistas apontam que a guerra no Irã elevou cotações de petróleo, pressionando preços de combustíveis e itens do dia a dia. No Boletim Focus, do Banco Central, a projeção para o IPCA de 2026 subiu, com expectativa recente de aproximadamente 5,0%.
A meta de inflação do BC prevê centro de 3% com tolerância de 1,5 ponto, resultando em teto de 4,5% e piso de 3% para o IPCA em 12 meses. Caso as leituras se mantenham fora do intervalo por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.
Fatores adicionais em jogo
Além da conjuntura internacional, o risco de El Niño preocupa o cenário de inflação. O fenômeno pode afetar a produção de alimentos e influenciar os preços no segundo semestre. Economistas destacam a necessidade de monitorar impactos climáticos e o desempenho de commodities para 2026.
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