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Keeta afirma que iFood cria cortina de fumaça, possível espionagem

Keeta afirma que acusações de espionagem são cortina de fumaça; disputa com iFood e Meituan expõe barreiras regulatórias e contratos de exclusividade que atrasam novos entrantes

Espionagem? Keeta diz que iFood cria cortina de fumaça
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  • Keeta reage às acusações de espionagem, dizendo que é cortina de fumaça para os problemas do delivery no Brasil e que levará a questão à Justiça se for formalmente notificada.
  • O iFood moveu ação na Justiça contra a Meituan, acusando aliciamento de funcionários; o CADE investiga exclusividade e Keeta afirma que a acusação tenta desviar o foco do problema real.
  • A empresa chinesa aponta barreiras de entrada no Brasil, como contratos de exclusividade e banimentos; a 99Food teria feito pagamentos adiante de mais de R$ 500 milhões para restringir concorrência.
  • O lançamento no Rio de Janeiro foi postergado por dificuldades de penetração, com mais de cinquenta por cento da base de restaurantes em São Paulo impedidos de operar com a Keeta.
  • A visão de curto prazo envolve descontos para acelerar aquisição, mas o foco é melhoria da eficiência operacional; a Meituan mantém investimento de US$ 1 bilhão no Brasil em cinco anos.

A Keeta contesta as acusações de espionagem industrial envolvendo a Meituan e o iFood, afirmando que as denúncias são uma cortina de fumaça para problemas reais do setor de delivery no Brasil. Danilo Manzano, vice-presidente da Keeta no Brasil, diz que as alegações precisam ser comprovadas na Justiça.

Ele afirma que a disputa não é apenas entre empresas, mas um reflexo de um mercado ainda fechado para novos entrantes. Segundo Manzano, a Keeta encontrou no Brasil contratos de exclusividade ilegais e acordos que impedem restaurantes de operar com a empresa, como ocorre com a 99Food.

Manzano também destaca que a Meituan adiou parte de seus planos de expansão, mesmo com o investimento declarado de US$ 1 bilhão ao longo de cinco anos no país. Alega que a dificuldade de competição se agravou pela estrutura regulatória e pelos bloqueios de mercado.

O executivo afirma que, apesar das barreiras, a guerra de descontos deve seguir, mas ressalta que a eficiência operacional é o diferencial de longo prazo. Citando a China, ele compara rotas com múltiplas entregas para reduzir custos logísticos.

Contexto regulatório e estratégias

A defesa técnica destaca uma investigação do CADE sobre suposto descumprimento de regras de exclusividade por parte do iFood. Para a Keeta, o foco deveria ser a abertura de mercado e a eliminação de barreiras à entrada.

Sobre registros de Zoom e domínios da Meituan citados pela imprensa, Manzano diz que executivos do iFood visitaram a China diversas vezes e que isso não configura espionagem. A Keeta afirma ter clareza sobre o que faz e não faz no mercado.

Expansão e operação no Brasil

A Keeta explicou que escolheu o Brasil entre 26 mercados, ciente de um ambiente competitivo. Embora tenha adiado a operação no Rio de Janeiro, a empresa pretende manter planos de expansão, com foco na melhoria da experiência para restaurantes, entregadores e consumidores.

O representante afirma que mais de 50% dos restaurantes de São Paulo estavam com restrições comerciais que atrasavam a entrada da Keeta. No Rio, a base alcançaria 17 mil estabelecimentos com 27 mil entregadores e orçamento de 400 milhões de reais, segundo a empresa.

Perspectiva de longo prazo

Segundo Manzano, o modelo com muita oferta de descontos não é sustentável no longo prazo. A empresa aposta na eficiência tecnológica para diluir custos e ampliar a remuneração dos entregadores, reduzindo preços ao consumidor. Ele afirma que a operação brasileira depende de infraestrutura.

A Keeta destaca que, na prática, menos de 10% das rotas no Brasil envolvem mais de um pedido, com a maior parte das entregas em rotas de até dois pedidos. A comparação com a China serve para justificar melhorias operacionais como prioridade.

O executivo encerra reiterando a importância de tecnologia própria para simular rotas e aumentar a eficiência. O objetivo é construir uma operação sustentável que beneficie restaurantes, entregadores e consumidores no Brasil.

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