- O crédito no agro exige gestão e governança tão importantes quanto a produtividade.
- No ciclo 2025/2026, o volume do Plano Safra anunciado foi de R$ 605 bilhões, com redução de subsídio e elevação das taxas de juros.
- Instrumentos privados, como Cédula de Produto Rural estruturada, Certificado de Recebíveis do Agronegócio e notas comerciais incentivadas, ganham espaço ao lado do crédito tradicional.
- Em 2025, pela primeira vez, o estoque de títulos privados (R$ 2,21 trilhões) supera o volume de empréstimos bancários tradicionais (R$ 2,19 trilhões) no Brasil.
- Governança robusta, com gestão financeira organizada e informações transparência, é vista como fator-chave para ampliar acesso a capital e reduzir custos.
O cenário de crédito para o setor agrícola está mudando, segundo o artigo de Henrique Galvani, CEO da Arara Seed. A produção eficiente continua vital, mas a estrutura da operação passa a influenciar o acesso a capital, não apenas a produtividade. Em meio a esse novo ambiente, o Plano Safra perde parte de sua exclusividade como fonte de financiamento.
Em entrevista publicada pela Mundo Agro, Galvani aponta que muitos produtores mantêm operações robustas e faturamento elevado, mas ainda dependem majoritariamente do crédito subsidiado. A governança e a organização financeira passam a ser critérios relevantes para obter crédito mais sofisticado e competitivo.
Mudança no cenário de crédito
Dados do ciclo 2025/2026 indicam que o Plano Safra continua como pilar, com um volume anunciado de 605 bilhões de reais para crédito rural, abrangendo agricultura empresarial e familiar. Contudo, o subsídio efetivo caiu e as taxas de juros subiram, sinalizando maior dificuldade de acesso a recursos com condições vantajosas.
Além do financiamento público, crescem instrumentos privados. CPR estruturada, CRA e notas comerciais incentivadas ampliam opções de financiamento, exigindo maior previsibilidade, transparência e organização das operações agrícolas. O capital privado tende a avaliar a operação e os riscos com maior rigor.
Em 2025, o estoque de títulos privados no Brasil ultrapassou pela primeira vez o volume de empréstimos bancários tradicionais, com 2,21 trilhões de reais contra 2,19 trilhões. O levantamento da Rio Bravo Investimentos, com dados do Banco Central, aponta que o agro ainda responde por uma parcela menor, estimada entre 25% e 30% do estoque total de crédito do setor.
Consequências para produtores
Essa transformação requer que produtores priorizem governança, projeções de fluxo de caixa e separação entre pessoa física e jurídica. Enquanto o crédito tradicional segue critérios mais padronizados, o capital privado demanda previsibilidade e transformação organizacional. A gestão financeira estruturada abre portas para diversificar fontes de financiamento e potencialmente reduzir custos.
O texto ressalta que o agro brasileiro já têm alta eficiência produtiva; agora, é preciso ampliar a capacidade de gestão para manter o acesso a capital. Quem se adiantar na organização da operação terá mais opções e condições mais favoráveis de negociação.
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