- O risco de um “Super Niño” volta a preocupar os mercados, influenciando projeções de inflação, commodities e ações na América Latina, com probabilidade de evento muito forte estimada em 25% pela agência climática dos EUA.
- O efeito deve impactar principalmente setores como serviços públicos, agricultura, mineração, bancos e alimentos na região.
- No Brasil, o fenômeno pode reduzir chuvas e a geração de energia hidrelétrica, elevando custos de energia; empresas com maior exposição incluem Sabesp (vulnerável), Axia, Eneva, São Martinho e Camil entre as potenciais beneficiadas.
- A situação é mais sensível para Colômbia, Peru e Brasil, devido à dependência de agricultura e energia hidrelétrica, enquanto México tende a ser o mercado latino mais resistente.
- Globalmente, o El Niño pode elevar preços de alimentos e energia, com impactos previstos em índices de inflação e decisões de bancos centrais; o cacau é apontado como uma commodity especialmente sensível.
O risco de um Super Niño volta a ganhar espaço entre mercados globais e já influencia projeções de inflação, commodities e ações na América Latina. A probabilidade de eventos muito fortes subiu, segundo a agência climática dos EUA, para cerca de 25%.
Além disso, o fenômeno ocorre quando o petróleo fica próximo dos US$ 100 por barril e as temperaturas globais atingem recordes. Investidores acompanham efeitos em serviços, agricultura, mineração, bancos e alimentos na região.
No Brasil, a atenção se volta para chuvas, geração hidrelétrica e safras agrícolas. Analistas destacam que cenários adversos podem pressionar tarifas elétricas e afetar o desempenho de empresas do setor.
Brasil, impactos e oportunidades
O Bradesco BBI aponta que a hidrologia abaixo do esperado eleva a necessidade de usinas térmicas caras, influenciando o custo de energia. Empresas com maior exposição à hidroeletricidade podem sentir ganhos com tarifas, mesmo com menor geração.
A Axia, quase toda dependente de energia hidrelétrica, aparece entre as potenciais beneficiadas, enquanto a Eneva pode ter maior receita com o crescimento da produção a gás. A Sabesp figura entre as mais vulneráveis.
No setor agrícola, o El Niño não afeta todas as regiões igualmente. O Sul tende a ter chuvas melhores, enquanto o Norte e o Nordeste sofrem com secura, o que altera o desempenho de ações ligadas ao campo.
A São Martinho surge como possível destaque, com perspectivas de melhoria de preços do açúcar, em linha com avaliações de Bloomberg Intelligence. A Camil pode se beneficiar de altas nos preços de arroz, dependendo do câmbio e da demanda.
Outros países da região
Na Colômbia e no Peru, o cenário historicamente eleva riscos de energia e crédito. Reservatórios baixos pressionaram a geração de energia, elevando tarifas spot e aumentando a inadimplência em some setores.
A Ecopetrol é citada como beneficiada pela maior demanda por gás natural com o uso maior de geração a gás. Bancos locais podem enfrentar pressão com crédito rural e industrial em períodos de eventos climáticos severos.
No Chile, há maior disponibilidade de água e chuvas para regiões com grande peso de hidrelétricas. Enel Chile e Colbún registraram ganhos com condições hidrológicas melhores, enquanto mineradoras do norte podem enfrentar interrupções logísticas.
México e América Latina
O México aparece como menos sensível aos choque climáticos, por ter economia mais diversificada. Riscos se concentram em áreas aeroportuárias e de abastecimento de água, com potencial impacto em operadores, se houver eventos climáticos maiores.
A Argentina é apresentada como caso favorável, com recuperação agrícola recente impulsionando soja e grain crops. Bancos locais viram melhora na qualidade de carteiras com o retorno do setor agroexportador.
Tendências de preços e impactos globais
Especialistas avaliam que o El Niño pode elevar preços de commodities e alimentos, pressionando políticas monetárias. Analistas destacam que choques de oferta podem acelerar pressões inflacionárias mundialmente.
O Barclays aponta sensibilidade do cacau a El Niño, com cenários de volatilidade nos preços. A Bloomberg aponta que um episódio grave pode elevar em até 7% os preços globais de alimentos básicos, impactando bancos centrais.
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