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Café de 5 libras revela impactos da turbulência econômica global

Preço global do café sobe por crises climáticas e guerras comerciais; demanda permanece estável, e o latte de £5 pode se consolidar como padrão

BBC A graphic of multiple grey disposable takeaway coffee cups with lids
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  • O preço do café arábica e robusta atingiu patamares altos devido a eventos climáticos em Brasil, Vietnã, Etiópia e Kenia, com as cotações se mantendo elevadas e previsões de melhora lenta.
  • Clima seco no Vietnã, ciclone na colheita e geadas no Brasil contribuíram para quedas de oferta, pressionando os custos durante 2024 e 2025.
  • Guerras comerciais e tarifas nos EUA ampliaram a volatilidade, com exportações brasileiras caindo para os EUA e a Europa se tornando importadora relevante.
  • Rotas de suprimento mudaram: navios que transportam robusta do Vietnã contornam o sul da África para evitar riscos, aumentando a distância de entrega.
  • Tendência de premiumização segue: consumidores pagam mais por cafés de qualidade e experiências, enquanto cadeias buscam reduzir custos via automação e opções como bebidas frias e marcas adaptadas.

O preço do café segue em alta, impulsionado por choques climáticos e tensões comerciais. Em Turim, Itália, empresas da cadeia cafeeira identificam impactos em toda a cadeia, desde o plantio até o consumo em lojas. O cenário atual aponta para custos superiores ao longo dos próximos anos.

A lavoura de arábica, cultivada em altitudes frias no Brasil, Etiópia e Quênnia, enfrenta quedas de safra e perdas por geadas. Enquanto isso, a robusta, amplamente colhida por máquinas, tem forte presença no Vietnã, que domina esse trecho do mercado. A combinação elevou preços históricos.

Dados recentes apontam que o preço do arábica atingiu picos acima de US$ 4 por libra no ano passado, recuando para US$ 3,08 hoje. Já a robusta chegou a US$ 2,59, hoje girando em torno de US$ 1,56. O custo de ambos os grãos ficou consideravelmente acima dos níveis pré-2020.

A direção da Lavazza afirma que os últimos anos representam um período sem precedentes de complexidade e dificuldades. Segundo ele, não há queda esperada de preços em breve; observa-se necessidade de safras volumosas no Brasil e no Vietnã para alterar o equilíbrio do mercado.

No Vietnã, agricultores acompanham preços e previsões diariamente pela internet. O Serviço de Agricultura Estrangeira dos EUA indica que muitos produtores guardam o café após a colheita, na expectativa de valorização, em vez de vender imediatamente.

A atenção dos mercados se volta para a safra de julho no Brasil, com previsões de boa colheita de arábica que poderiam pressionar os preços para baixo. Contudo, o fenômeno El Niño, previsto para este outono, pode provocar novas oscilações.

Impactos de tarifas e logística

O uso de tarifas na política comercial dos EUA afetou produtores de café. Vietnamitas, Indonésia e Brasil registraram quedas nas exportações para os Estados Unidos. A reação elevou os preços em países com menor tarifa de entrada, como Colômbia.

A inflação de varejo nos EUA refletiu o reajuste: preços de café torrado aumentaram, com o consumidor sentindo o repasse do custo maior para o bolso. Em paralelo, o abastecimento de Brasil para a Europa ganhou fôlego, com a Alemanha se tornando importador expressivo em 2025.

Para mitigar o impacto, mudanças na logística surgem. Navios que transportam grãos vietnamitas para a Europa contornam o Sul da África para evitar riscos no Estreito de Bab al-Mandab, gerando rotas aproximadamente 4 mil milhas mais longas.

Novas regras da UE sobre desmatamento passam a exigir coordenadas GPS das plantações de café, com verificação por imagens de satélite. A exigência entra em vigor gradualmente em 2026 e 2027, elevando custos para produtores.

Tendências de consumo e mercado

O choque de oferta coincide com uma tendência de premiumização do café. Consumidores continuam a pagar preços mais altos, especialmente por bebidas como cold brew, vistas como produtos de maior valor agregado.

Cadeias de referência, como Blank Street Coffee, apostam em experiências de marca para justificar preços mais elevados, com menus que exploram itens além do tradicional café. Em Pequim, Luckin Coffee expande o domínio tecnológico para personalizar pedidos.

No Reino Unido, redes como Greggs mantêm preços estáveis por meio de automação, usando máquinas suíças para viabilizar bebidas a valores competitivos. O cenário aponta para um eixo entre aumento de custos e ofertas de valor.

Perspectivas e cenário futuro

Os especialistas contestam previsões de queda rápida de preços; esperam safras robustas e novas dinâmicas de mercado apenas após avanços significativos na produção global. A demanda permanece relativamente inelástica, sustentando volumes mesmo com reajustes.

O setor observa que o café está passando por uma transformação: o foco está em experiência e conveniência, com cadeias investindo em formatos rápidos de consumo e personalização. Mesmo com oscilações, o café pode manter o status de commodity com preço elevado.

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