- França, Espanha, Itália, Holanda e Lituânia circularam um documento pedindo instrumentos comerciais mais duros contra a China, incluindo tarifas, cotas e um mecanismo de diversificação de cadeias de suprimento em setores sensíveis.
- O déficit da União Europeia com a China atingiu € 360 bilhões em 2025; nos primeiros quatro meses de 2026, o superávit chinês com a UE somou US$ 113 bilhões, ante US$ 91 bilhões no mesmo período de 2025.
- Entre 2019 e 2025, a indústria europeia perdeu cerca de 1 milhão de empregos, pressionada por produtos chineses subsidiados; a Comissão Europeia registra acusações de dumping.
- O comissário europeu de Indústria, Stéphane Séjourné, afirmou que a UE vai ampliar o uso de cotas e tarifas de forma mais sistemática para proteger setores como químico, metalúrgico e de tecnologia limpa, sob risco de até 29 milhões de empregos na Europa.
- A China investiu € 16,8 bilhões na Europa em 2025; a Hungria recebeu € 3,9 bilhões, tornando Budapeste o principal ponto de entrada de Pequim no mercado único europeu.
A Europa enfrenta um novo choque comercial com a China, marcada pela tentativa de endurecer instrumentos de proteção. França, Espanha, Itália, Holanda e Lituânia circularam nesta semana um documento conjunto pedindo tarifas, cotas e mecanismos para diversificar cadeias de suprimento em setores sensíveis. O movimento coincide com um debate da Comissão Europeia sobre a política chinesa.
O texto, enviado às autoridades comunitárias, visa instruções claras para instrumentos de defesa comercial. A iniciativa chega dias antes de uma reunião-chave da Comissão Europeia sobre a relação com Pequim, considerada uma das mais relevantes dos últimos anos.
Os números ajudam a justificar o recuo. O déficit da UE com a China atingiu €360 bilhões em 2025. Nos primeiros quatro meses de 2026, o superávit chinês com a Europa somou US$ 113 bilhões, ante US$ 91 bilhões no mesmo período de 2025.
Dados históricos também alimentam o cenário. De 2019 a 2025, a indústria europeia perdeu cerca de 1 milhão de empregos, pressionada por produtos chineses subsidiados. Acusações de dumping aparecem nos dossiês da Comissão, com respostas ainda lentas.
Apesar disso, o comissário de Indústria, Stéphane Séjourné, sinaliza uso mais amplo de cotas e tarifas para proteger setores inteiros, especialmente químicos, metalúrgicos e de tecnologia limpa. Ele afirma que a Europa corre riscos significativos sem atuação firme.
A questão envolve também a resistência de países-chave. Alemanha e, em menor medida, Espanha, aparecem como obstáculos para uma linha mais dura, diante de interesses industriais ligados ao mercado chinês e pressões políticas internas.
Enquanto Bruxelles luta pela unidade, cresce o papel da China na Europa. Em 2025, os investimentos diretos chineses no bloco somaram €16,8 bilhões, com Budapeste, na Hungria, recebendo a fatia maior, o que evidencia a estratégia de entrada de Pequim no mercado único.
O cenário aponta para uma dinâmica de “China shock 2.0”, com ataques simultâneos em tecnologia, infraestrutura e geopolítica. Controlando minerais críticos e boa parte da produção de componentes, Pequim reforça instrumentos de influência nas economias-membro.
Para o Brasil, o desdobramento muda algoritmos de investimento e cadeias globais. Tensões entre a UE e a China afetam fluxos de capital e podem abrir ou fechar janelas de oportunidade para países que buscam manter vínculos equilibrados com ambos os blocos.
Impacto para a Europa e o Brasil não se resume a tarifas. A ofensiva chinesa pressiona indústria, empregos e decisões políticas. A pergunta central é se a UE saberá agir de forma coesa antes que os impactos se agravem.
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