- Em abril, o saldo de vagas formais ficou em 85.888, menor para o mês desde 2021, após a reformulação metodológica do Cadastro Geral de Emprego, e o pior desde 2017 em termos nominais.
- A mediana das estimativas consultadas apontava criação líquida de 215 mil vagas, tornando o resultado mensal significativamente abaixo do esperado.
- Serviços puxaram a abertura líquida de vagas (69.601), seguidos por construção (23.525) e indústria (9.256); comércio (-8.114) e agropecuária (-8.378) registraram quedas.
- Em relação a março, houve queda de cerca de 152 mil postos no saldo mensal, com comércio e serviços respondendo por mais de 60% da retração.
- A economista Janaína Feijó aponta que juros altos e alto endividamento das famílias podem limitar contratações, já que menos venda de produtos reduz a necessidade de novas vagas; há ainda o risco de chuvas com o fenômeno El Niño afetar o setor agropecuário e o emprego no fim do ano.
O saldo de vagas formais em abril ficou abaixo das expectativas, sinalizando frustração no mercado de trabalho. A geração líquida de empregos atingiu 85.888 vagas, bem aquém da mediana de 21 estimativas, em 215 mil postos. A leitura é de que o resultado mensal ruim impacta o quadrimestre e o ano inteiro, segundo a economista Janaína Feijó, do FGV Ibre.
Ela aponta que a piora em abril vem de quase todos os setores, com agro, indústria e comércio registrando crescimento mais fraco que o observado desde 2021. O enfraquecimento vem mesmo diante de juros altos e da expectativa de flexibilização monetária ainda sem efeito claro sobre o emprego.
A alta dívida das famílias é citada como possível motivação para a queda na criação de vagas, já que menor poder de compra reduz a demanda e leva empresas a segurarem contratações. A inadimplência também é citada como fator que agrava a atividade econômica.
Desempenho setorial
Serviços liderou a abertura líquida de vagas, com 69.601, seguido por construção (23.525) e indústria (9.256). Comércio e agropecuária tiveram quedas de 8.114 e 8.378, respectivamente. Em relação a março, houve queda de cerca de 152 mil postos no mês.
Houve comparação anual com resultados mais adversos para agro e comércio. O agro registrou queda de mais de 320% em abril ante 2024, um recuo expressivo. No comércio, a retração anual atingiu 117,9%.
Perspectivas para o curto prazo
A economista ressalta que a sazonalidade deve favorecer setores de alta perto do fim do ano, mas o cenário permanece incerto diante de fatores macroeconômicos. O desempenho de abril acende alerta sobre trajetória do emprego ao longo de 2024.
El Niño e impactos na agropecuária
O quadro se agrava com a possibilidade de um super El Niño, que pode alterar a disponibilidade de chuvas e prejudicar a safra brasileira. Dependendo das consequências climáticas, o emprego no setor agro pode atingir patamares ainda não vistos.
Feijó indica que, historicamente, o agro tende a contratar menos, e o efeito do El Niño costuma se manifestar três a quatro meses após os impactos climáticos. Com esse cenário, o mercado de trabalho pode apresentar piora no segundo semestre.
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