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Entenda a crise que envolve a Raízen, gigante dos combustíveis

Raízen negocia recuperação extrajudicial com dívida de R$ 75,3 bilhões; credores podem perder até oitenta por cento e a companhia pode ser reorganizada em duas subsidiárias

Planta de etanol da Raízen: dívidas encurralaram a empresa
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  • A Raízen apresentou um plano de recuperação extrajudicial para reorganizar uma dívida de cerca de R$ 75,3 bilhões, com passivo tributário superior a R$ 24 bilhões, e as ações chegaram a cair quase 20% hoje na B3.
  • O plano oferece três caminhos para credores quirografários: transformar 45% da dívida em participação na empresa, manter 55% com novos prazos; punir credores com perda de até 80% do recebível; e uma saída rápida para credores menores com pagamento mínimo de até R$ 9.750.
  • Como apoio imediato, a Shell injectaria R$ 3,5 bilhões em dinheiro a R$ 0,25 por ação, e um investidor ligado à Aguassanta Investimentos poderia aportar mais R$ 500 milhões.
  • A reorganização prevê a criação de duas companhias separadas: Raízen Energia (etanol, açúcar, bioenergia) e Raízen Combustíveis (distribuição no Brasil), com decisão final até o fim de 2027, sujeita à aprovação dos credores.
  • O plano também envolve mudanças na governança: novo conselho com maioria de membros indicados pelos credores e controle efetivo transferido, e a empresa precisa fechar acordo tributário com o governo para avançar.

A Raízen enfrenta forte pressão no mercado após divulgar os termos de um plano de recuperação extrajudicial. A proposta prevê a conversão de dívida em ações, com descontos de até 80% para credores quirografários e uma dívida consolidada de 75,3 bilhões de reais. O passivo tributário soma mais de 24 bilhões.

As ações da empresa caíram quase 20% na B3, refletindo a percepção de risco sobre o acordo. O plano é apresentado como uma alternativa rápida à recuperação judicial tradicional, com negociação direta entre a Raízen e seus credores.

A Raízen é controlada pelo grupo Cosan e pela Shell, resultante da fusão de negócios de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis em 2011. Rubens Ometto, fundador da Cosan, figura entre os acionistas relevantes.

O que envolve o plano

A autoridade maior do acordo recai sobre três caminhos para credores quirografários, cada um com perdas differentes. O primeiro prevê 45% da dívida reestruturada virar participação acionária na Raízen, mantendo 55% com novos prazos.

Do total, a Shell injectaria 3,5 bilhões de reais em capital novo ao fechamento, a R$ 0,25 por ação. Um segundo investidor ligado à Aguassanta Investimentos poderia aportar mais 500 milhões.

A segunda opção é a mais pesada para credores: 80% do recebimento é perdido, restando 20% pago apenas em 2047. Crédits em reais teriam correção mínima, enquanto créditos em dólares ou euros não seriam corrigidos.

A terceira alternativa beneficia credores menores, com pagamento imediato de até 9.750 reais por credor, limitado a 150 milhões de reais no total.

Estrutura societária e prazos

O plano prevê a criação de duas empresas após a reestruturação: Raízen Energia, com etanol, açúcar e bioenergia, e Raízen Combustíveis, com distribuição no Brasil. A separação ocorreria até o fim de 2027, após o acordo.

As dívidas estão pulverizadas entre bonds emitidos no exterior, financiamentos atrelados a exportações, debêntures e derivativos. Os derivativos acumulam potenciais pagamentos de até 9,15 bilhões até 2040.

Cenário financeiro e obrigações

Mesmo sem a operação argentina, a Raízen consumiu caixa significativo, com saídas de 3,3 bilhões em um curto período. Mesmo após a reestruturação, as duas empresas manteriam alavancagem elevada em relação ao lucro operacional.

A Raízen Combustíveis apresentaria endividamento próximo de cinco vezes o lucro anual, enquanto a Raízen Energia ficaria em torno de 2,2 vezes. Indicadores acima de padrões setoriais apontam aperto financeiro contínuo.

Riscos fiscais e governamentais

O plano destaca contingências tributárias de 24,7 bilhões, com 17,5 bilhões sem garantia de acionistas externos. Parte dessas disputas tramita no CARF e na Receita Federal, com 4,4 bilhões já em execução judicial.

Para avançar, a empresa precisa fechar acordo com o governo sobre essas pendências, conforme documentação apresentada.

Governança e controle

O novo conselho terá sete membros, com maioria de credores (quatro cadeiras, incluindo presidência). Shell e Cosan permaneceriam com três assentos. Um comitê de cinco membros, também credenciado pelos credores, supervisionaria decisões relevantes.

O fechamento definitivo do acordo está previsto para até março de 2027, sujeito à formalização dos documentos finais e à aprovação dos credores. A trajetória da Raízen, porém, permanece sob escrutínio do mercado.

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