- Em abril, a inadimplência no cheque especial atingiu 15,5%, alta anual de 2,6 pontos percentuais, segundo a Abecs.
- Analistas apontam que a piora está concentrada em fintechs e bancos menores; bancos tradicionais mostram maior resiliência.
- O Goldman Sachs revisou dados de abril, apontando alta de 60 pontos base na inadimplência de cartões de crédito e piora de 40 pontos base em empréstimos pessoais; a deterioração foi mais forte em instituições menores (S3 e S4) e nos créditos pessoais em bancos maiores (S1).
- A participação de mercado de instituições do grupo S2 cresceu: 100 pontos-base em cartões de crédito (agora 20,6%); 110 pontos-base em empréstimos pessoais (23%).
- A Abecs afirma que a inadimplência reflete movimento mais amplo no crédito a pessoas físicas, não se restringe ao cartão de crédito, com alta em várias linhas, incluindo 15,5% no cheque especial e 9,3% no crédito total do cartão.
O que aconteceu: a inadimplência no crédito ao consumidor brasileiro vem aumentando, com destaques para fintechs e instituições menores, segundo relatórios do Itaú BBA e do Goldman Sachs. Bancos tradicionais mostram maior resiliência, conforme análise recente.
Quem está envolvido: fintechs, bancos digitais e demais instituições fora do grupo S1 estão influenciando o aumento, segundo o Itaú BBA. O Goldman Sachs aponta deterioração concentrada em S2 e, no crédito pessoal, em S1 e S3/S4 conforme o novo levantamento.
Quando e onde: os dados referem-se a abril, com divulgação inicial pelo Banco Central e atualizações subsequentes. A análise envolve o sistema financeiro brasileiro como um todo, com foco em cartões de crédito, empréstimos pessoais e cheque especial.
Por quê: a leitura dos bancos indica que o avanço de instituições fora do S1, aliada a perfis de clientes de renda mais baixa, explica parte da alta da inadimplência agregada. A avaliação também cita maior participação de bancos menores no mercado de crédito.
Desempenho por segmento
A Abecs divulgou que o cheque especial atingiu 15,5% de inadimplência em abril, alta de 2,6 p.p. em relação a 12 meses. O crédito pessoal não consignado subiu para 9,3%, avanço de 2,3 p.p.
No crédito para veículos, a inadimplência ficou em 6,1%, incremento de 1,2 p.p. Frente a março, o cartão de crédito atingiu 9,3% de inadimplência, elevação de 1,1 p.p. O relatório ressalta que o cartão é, em grande parte, instrumento de pagamento, com juros não determinantes para o saldo.
Participação de mercado e leitura dos bancos
O Goldman Sachs revê parcialmente o quadro, apontando deterioração mais forte no sistema como um todo, com ênfase em cartões de crédito de instituições S2 e S3/S4. Em abril, a inadimplência de cartões subiu 60 p.b, para 10,3% segundo dados revisados.
Entre empréstimos pessoais, o Goldman aponta alta de 40 p.b, com deterioração mais acentuada em bancos S1, cuja inadimplência subiu 70 p.b para 10,3%. A participação de mercado das instituições S2 em cartões avançou a 20,6% no acumulado de 2026 até abril.
Observações finais
A Abecs reforça que a inadimplência reflete movimento mais amplo no crédito a pessoas físicas, e não apenas no cartão. O relatório destaca ainda que o rotativo representa 2,7% do endividamento total, com duração média de 12,8 dias em abril, segundo o BC.
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