- Gaeco de São Paulo, com a Receita Federal e o Ministério Público, deflagra a segunda fase da Operação Carbono Oculto para apurar o controle do PCC sobre o setor de combustíveis.
- São cumpridos 55 mandados de busca e apreensão em quatro estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
- Os alvos são empresários do setor, operadores logísticos e laranjas usados para ocultar patrimônio e lavar dinheiro.
- A investigação aponta desvio de nafta petroquímico e uso de empresas-fantasma, além de fundos de investimento e instituições de pagamento para dissimular os beneficiários.
- Quatro fundos de investimento, duas administradoras e duas gestoras estão sob investigação, com patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões, registrado incremento superior a 200% em pouco mais de um ano.
O Gaeco de São Paulo, em parceria com a Receita Federal e o Ministério Público, deflagrou a segunda fase da Operação Carbono Oculto nesta quinta-feira, 28 de maio. A ação mira o controle da facção PCC sobre o setor de combustíveis no Brasil, com 55 mandados de busca e apreensão em quatro estados.
Os mandados são cumpridos simultaneamente em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os alvos principais são empresários do setor, operadores logísticos e pessoas usadas como laranjas para ocultar patrimônio e lavar dinheiro de origem criminosa.
A primeira fase, lançada em agosto de 2025, identificou uma rede financeira ligada ao mercado de combustíveis. Desde então, autoridades apontam o surgimento de seis fintechs que funcionavam como bancos paralelos da organização criminosa.
Núcleos financeiros ligados ao esquema
Entre as empresas envolvidas estão Ceopag, Ceopar, Fundopay S.A. e XBR Participações, América Payment S.A, Sispay, Vpay e May Servex; além de Smart Solutions, Smart Safe, YAW e Ello Gestora de Recursos. Essas instituições compõem o núcleo financeiro da operação.
As investigações indicam que esses players realizavam compensações entre distribuidoras e postos de combustível, além de movimentações entre empresas e fundos de investimento administrados pela organização. Pagamentos a colaboradores e gastos dos operadores também estariam incluídos.
Desvios de nafta e uso de empresas-fantasma
O Ministério Público de São Paulo, em colaboração com a ANP, denunciou um núcleo ligado ao desvio de nafta petroquímico para terminais e postos. Houve uso de empresas-fantasmas com contratos simulados para venda de solventes, desvio de mercadorias e ocultação de beneficiários.
Os investigadores apontam que a abertura serial de empresas em diversos estados facilitou o esquema. Parentes, pessoas em vulnerabilidade social e até detentos foram utilizados para constituir pessoas jurídicas que adquiriram solventes, na prática desviados para a Grande São Paulo.
A investigação também revelou que o movimento financeiro seguia padrões semelhantes aos usados nas atividades de ocultação patrimonial. Além das instituições de pagamento, fundos de investimento eram usados para dissimular os reais beneficiários dos negócios da organização criminosa.
Patrimônio e desdobramentos
Os quatro fundos sob investigação possuem patrimônio estimado em torno de 205 milhões de reais. O Ministério Público aponta que o patrimônio cresceu mais de 200% em pouco mais de um ano, impulsionado pela rede que atua no setor de combustíveis.
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