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Incerteza leva family offices a planejar rara mudança na alocação

Incerteza geopolítica leva family offices a planejar rara mudança na alocação: 60% pretendem ajustes em 12 meses e maior diversificação cambial

Incerteza leva family offices a planejar rara mudança na alocação
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  • Setenta por cento dos family offices planejam alterar a alocação nos próximos 12 meses, o maior índice desde 2020.
  • O segmento nos EUA é a exceção, com apenas 21% dizendo que vão mudar os investimentos; no Oriente Médio chega a 82% e na Ásia varia de 71% a 81%.
  • Quase metade dos entrevistados (47%) se considera over-exposed ao dólar, levando 29% a reduzir ativos em dólar e 30% a diversificar moedas.
  • Pequenos aumentos esperados na carteira: ações de mercados emergentes passam de 5% para 6%, ouro de 2% para 3% e infraestrutura de 1% para 2%.
  • Investimento em imóveis tende a recuar, de 11% para 8%, com foco maior em ativos líquidos; cripto aparece em 24% das carteiras, com 44% considerando-a parte da alocação estratégica.

Os conflitos geopolíticos e o temor de uma crise fiscal global levam family offices a rever amplamente suas estratégias de investimento, algo pouco comum nesse tipo de estrutura. Uma pesquisa do UBS com 307 offices de cerca de 30 países mostra que 60% pretendem alterar a alocação nos próximos 12 meses.

Este é o maior percentual já registrado desde 2020, quando começaram a ser coletados dados. Em 2025, 35% já tinham planos de mudança, e no ano anterior, 27%. O levantamento envolve offices com patrimônio médio de US$ 2,7 bilhões.

A maior parcela de mudanças ocorre fora dos Estados Unidos. Na leitura global, 82% do Oriente Médio, 71% a 81% na Ásia, 67% na Europa e 61% na América Latina planejam alterações. Nos EUA, apenas 21% pretendem ajustar investimentos.

Para Leo­nardo Bulgarelli, head de multi-family office para a América Latina no UBS GWM, é uma quebra de padrão: não são ajustes pontuais, e sim alterações de estratégia. Gestores questionam se o que funcionou no passado continuará funcionando.

Entre os respondentes, 47% avaliam estar over-exposed ao dólar, o maior nível entre as moedas analisadas. Como consequência, 29% já reduziram ou estudam reduzir ativos dolarizados, enquanto 30% buscam maior diversificação cambial.

Mudanças deverão ocorrer de forma gradual ao longo do ano. Os escritórios devem elevar ligeiramente o investimento em ações de mercados emergentes, de 5% para 6% da carteira. Ouro passará de 2% para 3% e ativos de infraestrutura de 1% para 2%.

Bulgarelli destaca que, diante da ausência de substituto óbvio para o dólar, muitos family offices estão buscando um mix com outras moedas, ouro e cripto. A participação de cripto na carteira é pequena hoje, em torno de 1%, porém 44% veem cripto como parte da alocação estratégica.

Por outro lado, há tendência de reduzir investimentos em imóveis, de 11% para 8% no ano, possivelmente em função da alta de juros e da busca por maior liquidez para rápidas mudanças no portfólio.

Os resultados regionais indicam que os family offices da América Latina são mais conservadores, com maior peso em renda fixa e ativos líquidos, e menor participação em ações e produtos alternativos. Bonds representam, em média, 29% dos recursos na região.

Geograficamente, 60% do patrimônio está investido nos EUA, enquanto apenas 23% estão na América Latina, considerada a região mais americanizada dos dados. O UBS não divulga dados por país, mas afirma que no Brasil o home bias tende a ser maior.

Segundo Bulgarelli, há interesse latino-americano por internacionalização e moedas diversas, com preferência por atuar em países desenvolvidos por ora, ainda que haja debate sobre diversificação entre emergentes.

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