- Inter está priorizando linhas de crédito com garantias (consignado, saque-aniversário do FGTS, antecipação de recebíveis e garantia de imóvel) para proteger a carteira em um cenário de juros altos.
- O cofundador e CEO global, João Vitor Menin, afirmou que, quando há piora de tendência, o apetite a risco é reduzido; o Brasil deve manter juros elevados por pelo menos dois anos.
- O banco apresentou a meta “regra dos 50”, que combina crescimento de receita e ROE próximo de 15%, guiando a estratégia para os próximos três a quatro anos; o plano anterior era o “60-30-30”.
- O Inter espera custo de risco entre 5,5% e 6% e adotou linha mais conservadora na concessão de limites de cartão de crédito, sobretudo para novos clientes.
- Em expansão global, o Inter tem cerca de seis milhões de clientes com conta global, mais de US$ 2 bilhões em ativos de investimento nos EUA e está testando produto similar na Argentina para lançamento futuro.
O banco Inter sinalizou mudança de foco em sua expansão no Brasil, com prioridade para linhas de crédito garantidas em um cenário de juros elevados. A ideia é proteger a carteira com garantias como consignado, saque-aniversário do FGTS antecipado, antecipação de recebíveis e empréstimos com garantia de imóvel.
A afirmação foi feita pelo cofundador e CEO global do Inter, João Vitor Menin, em entrevista concedida à Bloomberg News, em Nova York. O objetivo é reduzir o apetite a risco quando a tendência se deteriora, segundo o executivo.
A prática contrasta com a estratégia de bancos como o Nubank, que mantém linhas de crédito sem garantias. Menin ressaltou que o Brasil deve ter juros altos por pelo menos dois anos, independentemente do resultado eleitoral de outubro.
O Inter tem sido impactado pela piora do ciclo de crédito no Brasil, com queda relevante de ações ao longo do último ano. O Citi reduziu a recomendação das ações do banco de compra para neutra, citando menor visibilidade e entregas mais desafiadoras.
Novo objetivo
O Inter apresentou a chamada “regra dos 50”, que combina crescimento de receita e retorno sobre patrimônio líquido. Com receita prevista entre 25% e 35% ao ano e ROE em torno de 15%, a métrica orientará a empresa nos próximos três a quatro anos.
O plano anterior, conhecido como “60-30-30”, visava 60 milhões de clientes, eficiência de 30% e ROE de 30% em 2027. Menin afirmou que o objetivo é ter um negócio com escala, não apenas números altos de ROE.
Segundo o CEO, o custo de risco deve ficar entre 5,5% e 6%, acima do intervalo anterior de 5% a 5,5%. O banco também adota maior cautela na concessão de limites de cartão de crédito a novos clientes.
O Inter conta com cerca de 44 milhões de clientes e agrega aproximadamente 650 mil novas contas por mês. Muitos clientes recorrem a serviços de bancos digitais concorrentes para complementar limites de crédito.
O grupo pretende manter maior parte da vida financeira na plataforma, que já oferece mais de 180 produtos, incluindo investimentos, seguros e um shopping online. O objetivo é manter a relação dos clientes com o Inter.
Expansão internacional e produtos
O banco informou a expansão de serviços para clientes que buscam acesso a produtos financeiros globais. Entre 6 milhões de clientes, houve abertura de contas globais, com ativos de investimento nos Estados Unidos acima de US$ 2 bilhões.
Menin confirmou testes de um produto semelhante na Argentina, com lançamento previsto para após a Copa do Mundo, concluída em julho. A ação amplia a presença do Inter em mercados internacionais.
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